Quarta-feira, 18 de Maio de 2022
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O batatal do nosso futebol

Chaves a lutar pela subida à Liga NOS, Montalegre garante a permanência na Liga 3, Pedras Salgadas fica no Campeonato de Portugal, e Vilar de Perdizes sobe da distrital neste quadro esotérico. Descem ao distrital o Santa Marta e o Bila. Algo se passa no Barroso que os vizinhos do sul já desaprenderam…

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Um homem que perceba de batatas e que queira semear agora uns saquinhos o que faz? Prepara o terreno, compra batata de semente boa, contrata mão-de-obra, compra adubo, apalavra, paga na hora e vigia e monda os rebentos. Um homem que queira fazer dinheiro nas batatas, mas que não perceba de batatas, além dos gastos anteriores, arranja um bom caseiro, paga-lhe bem, e vive feliz! Agora imaginem que juntam um homem que não percebe de batatas, que não compra boa semente, que a põe em cima de qualquer fraguedo. O que acontece? Só por muita sorte as batatas não ganham pés e não se põem a milhas dali para fora! Mesmo que venha o Presidente da Junta a dizer – não te preocupes, este ano vai ser bom para mim e para ti! – para que se meteu o cavador em lavrador?

Hoje passei pelo Calvário. É já normal aceitarmos a descida do Bila (apesar da subida da quota ainda recentemente…), o clube com plantel sénior mais esperado das equipas sediadas em Vila Real. É normal porque sentimos que por mais tentativas de poluição político-partidária, de mudanças de figuras na Presidência da Direção ou por mais dor e lágrimas honestas que jornalistas como a Márcia Fernandes testemunharam no domingo no plantel despromovido as coisas hoje estão muito diferentes da dourada década de 50, das paixões de 60 a 80, do revivalismo que ainda houve nos 90. Mas sobretudo da esperança que sempre perpassou nas camadas jovens, surdas aos vícios dos adultos.

Muitos colegas e amigos me têm perguntado porque existe um número tão elevado de equipas minhotas na Liga NOS. A razão é simples – ao longo das últimas duas décadas, criou-se uma ‘pool’ de homens e mulheres que sabem gerir os clubes desportivos. Que sabem trabalhar nas secretarias e nos corredores. Que mudam também de clubes – pois eles são profissionais pagos e bem pagos. Que exigem dos colaboradores dos clubes. E que muitas vezes se zangam com as Direções teimosas e rescindem o contrato. No dia seguinte, estão contratados pelo clube vizinho. Circulam, renovam o ar e por onde passam. Os clubes do Barroso têm de sobra jogadores de qualidade que passeiam pelos satélites. Mas vão tendo também know-how e sobretudo gestores profissionais que sabem de engenharia financeira, de resultados operacionais e de ciclos de negócios.

No fundo, que sabem de batatas.

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