Domingo, 24 de Outubro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O clima e nós

Se nada se fizer, a curtíssimo prazo, os problemas serão devastadores, tornando impossível a vida na terra

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Voltou à agenda mediática a questão climática. Se nada se fizer, a curtíssimo prazo, os problemas serão devastadores, tornando impossível a vida na terra. É Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, — um dos países que mais agride o planeta com as suas emissões de carbono (CO2) — que toma a iniciativa, e pretende reduzi-las para metade até 2030. Vai organizar uma cimeira sobre a mudança do clima com 40 Chefes de Estado. Aos norte americanos expôs o desafio de uma forma positiva, com novos empregos bem pagos, e aos países do mundo pede iniciativas para se evitar que a temperatura do planeta suba 1.5 graus celsius acima dos níveis pré-industriais, afirmando que não podemos resignar-nos a um futuro em que são cada vez mais comuns fenómenos extremos, como secas, tempestades e enormes fogos florestais. Também o Papa Francisco, no “Dia da Terra”, afirmou que é a altura de agir, porque estamos no limite.

Qual é o papel de Portugal nesta matéria? A presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, de que somos responsáveis neste momento, fechou, na semana passada, um acordo político provisório com o Parlamento Europeu para a adaptação da primeira lei europeia do clima, que obriga os 27 países a atingir a neutralidade carbónica em 2050 e que, a partir daí, se passem a emissões negativas, isto é, que se retire da atmosfera mais dióxido de carbono do que se emite.

Lemos isto e questionamo-nos. O que é que nós, que vivemos para cá do Marão, podemos fazer? O que é que nós temos a ver com isto? A primeira reação é a de cruzar os braços: afinal, nós não representamos nada nesta questão e até não teremos grandes responsabilidades, uma vez que não temos indústrias poluidoras. Porém, não pode ser esta a nossa postura. E os responsáveis políticos têm a obrigação de desenvolver atividades diferenciadas para a redução do CO2 que diariamente vamos produzindo, designadamente nos transportes. Temos de contribuir para a produção de oxigénio, beneficiando das nossas capacidades. Dois ou três exemplos: aproveitamos devidamente os recursos hídricos de que a natureza nos dotou? O rio Corgo, que no verão não passa de um regato, não deveria aproveitar os mananciais que por ele correm, sobretudo no outono, inverno e primavera? E a sua capacidade para produção de energia elétrica é aproveitada?

Quantas vezes não falamos já nos terrenos baldios e incultos onde deveríamos ter florestas, que além de gerar riqueza, produziriam oxigénio — suporte da vida humana.
Exemplos do muito que há para fazer se estivermos dispostos a embarcar neste desafio.

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