O mais jovem professor negro da história da Universidade de Cambridge foi encontrado sem vida em Londres, poucos dias depois de se ter demitido sob uma avalanche de acusações de plágio e de fabricação da própria biografia.
Recapitulemos. Em 2023, Cambridge precisava de diversificar um corpo docente tão embranquecido que se tornara motivo de vergonha institucional. Apareceu-lhe então Arday: filho de imigrantes ganeses, criado num bairro social do sul de Londres, diagnosticado com autismo, alegadamente sem falar até aos 11 anos e sem ler até aos 18, e ainda assim doutorado e conferencista internacional. Já neste momento poderíamos dizer que Arday dava sinais de ser um fabulador, chegando a afirmar ter completado 30 maratonas em 35 dias, ter corrido 960 km em seis dias e angariado 5 milhões de libras para causas solidárias ao longo de vários anos.
Depois apareceram as acusações de plágio. Revistas científicas corrigiram artigos. Chegou um dossiê de mais de 60 páginas de uma publicação especializada, com um especialista da Universidade de Purdue a concluir que a tese estava «extensamente plagiada». Mas do «melhor do mundo» ao «abriremos um inquérito» foram uns meros meses. Cambridge vai ter de dar muitas explicações de como contratou, por unanimidade, o Dr. Arday. As acusações de plágio vieram a público no mês passado, quando um antigo académico de Cambridge, Nathan Cofnas, escreveu sobre elas na sua newsletter.
O Dr. Cofnas é conhecido pelo seu trabalho que sugere que as pessoas negras teriam uma predisposição genética para serem menos inteligentes do que as brancas, o que é demonstrativamente mentira. A Universidade de Cambridge cortara relações com ele em 2024. Os restantes pormenores rocambolescos e detalhes surpreendentes podem ser facilmente encontrados através de uma pequena pesquisa online. Ou então num qualquer clip de vídeo das redes sociais inundadas pelos comentadores, profissionais e amadores, à procura de mais um clickbait.
Há pouco mais a dizer sobre este assunto a não ser, quiçá, isto. Creio que já não existem dúvidas de que, hoje em dia, a opinião, em muitos assuntos, tem muito pouco de honesta e está tomada pelas agendas pessoais e, sobretudo, pela encenação e pela atitude de agradar às audiências, num momento em que as pessoas leem e ouvem ainda menos notícias, para seguirem as opiniões dos seus avatares preferidos. Depois, a diversidade a sério dificilmente é apenas a cor da pele, e não se faz com troféus de montra.
Esta incompetência de Cambridge não é justiça nem é bondade. E estarei totalmente disponível para me retratar se estas premissas sobre o Dr. Arday se demonstrarem falsas. Finalmente, uma última constatação: a humanidade continua na mesma, sempre disponível para se transformar em multidão assediante. A sua motivação, nos dias de hoje, é este fascínio quase desportivo pela batalha verbal entre as linhas tectónicas do que se convencionou chamar a «guerra cultural». É o palco perfeito para os piores acabarem sempre por ganhar.

