Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2025
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Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O inverno demográfico português e o crescimento da população mundial

Com a divulgação dos dados relativos aos Censos 2021, o chamado inverno demográfico português tem merecido a análise de vários especialistas na matéria, ressaltando, logo à partida, que dos resultados obtidos se conclui que a população portuguesa teve um decréscimo de 2,1% em relação à última década.

Existem atualmente 10 343 066 habitantes, contra os 10 562 178 existentes em 2011.

Estes números, segundo as projeções da ONG Population Reference Bureau, continuarão a diminuir no futuro, apontando-se para o ano de 2050 menos cerca de 1,2 milhões de habitantes. Num outro estudo, apresentado pela ONU, prevê-se que até ao referido ano, Portugal passe a ser o 4.º país mais envelhecido do mundo, com cerca de 40% da população lusa a ter mais de 60 anos.

Reportando-nos ainda aos resultados dos Censos 2021, verifica-se que a relação entre o universo da população idosa e jovem sofreu alterações significativas, constatando-se a existência de 182 idosos, com mais de 65 anos, para 100 jovens, dos 0 aos 14 anos, quando anteriormente essa relação era de 128 idosos, para cada 100 jovens. Estas transformações na estrutura populacional revelam um decréscimo acentuado da natalidade e, por outro lado, um aumento da esperança média de vida, com reflexos positivos na longevidade do ser humano, o que implica, necessariamente, uma enorme pressão sobre os sistemas de saúde e da segurança social.

Sabe-se que o declínio da natalidade tem sido uma constante no velho continente, mas, em sentido oposto, a nível mundial a população tem registado um crescimento substancial, atingindo este ano os 8 mil milhões, contra os 7 mil milhões existentes em 2011. Esta situação, segundo estimativas da ONU, continuará numa curva ascendente, prevendo-se que, para 2080, o planeta Terra tenha 10 mil e 400 milhões de habitantes. Ora, segundo as Nações Unidas, a continuar este ritmo de crescimento da população mundial, não há produção alimentar que possa satisfazer as necessidades básicas de grande parte da humanidade, pelo que urge tomar medidas que possam minorar as dificuldades que se avizinham.

Esta dessintonia, entre diminuição da população numa parte do globo e o seu contínuo crescimento noutros continentes, designadamente, na Ásia e África, não deixa de causar perplexidades ao cidadão comum, que se interroga perante esta aparente contradição, ao pretender-se incentivar a natalidade por um lado, e a sua diminuição por outro, embora em espaços geográficos diferentes.

PS: Para todos os colaboradores, assinantes e leitores da VTM, desejo Festas Felizes.

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