Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O livro “Adeus até… ao meu regresso” e os Combatentes

Trata-se de um livro sui generis, constituído, fundamentalmente, por um conjunto de fotos, dos três teatros de operações, Angola, Guiné e Moçambique, retiradas do acervo fotográfico dos referidos combatentes vila-realenses, que participaram no conflito ultramarino

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No passado dia 1 do mês de dezembro, correspondendo ao amável convite do meu velho amigo e companheiro Prof. Carlos Almeida e do Duarte Carvalho, desloquei-me à nossa “Bila” para fazer a apresentação do livro referido no titulo desta crónica, cujo lançamento se inseria na cerimónia de homenagem aos combatentes do Ultramar, que de há 30 anos a esta parte tem sido levada a efeito por uma Comissão Organizadora, liderada por aqueles dois vila-realenses.

A cerimónia iniciou-se com a celebração da eucaristia, na Capela Nova, pelo Capelão Militar, Pe. Benjamim, do Regimento de Engenharia de Espinho, que durante a homilia proferiu palavras de reconhecimento para com os combatentes, enaltecendo o seu espírito solidário e a dedicação à Pátria. Seguidamente, procedeu-se à deposição de uma coroa de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar, junto ao RI 13, prosseguindo, da parte da tarde, com o lançamento e apresentação do referido livro, nos claustros do edifício do antigo Governo Civil, contando com a presença de várias entidades civis e militares e de numerosos combatentes e familiares.

Com esta iniciativa, os seus autores, 56 combatentes naturais do concelho de Vila Real, pretenderam homenagear os 56 conterrâneos que tombaram no Ultramar ao serviço da Pátria. Trata-se de um livro sui generis, constituído, fundamentalmente, por um conjunto de fotos, dos três teatros de operações, Angola, Guiné e Moçambique, retiradas do acervo fotográfico dos referidos combatentes vila-realenses, que participaram no conflito ultramarino.

A frase “adeus até ao meu regresso”, que o titula, encerra em si mesma uma enorme carga simbólica por nos fazer recuar no tempo, a um tempo em que na Quadra Natalícia as equipas da RTP percorriam as unidades militares instaladas nos TO, para gravar as mensagens de Natal dos combatentes dirigidas aos seus familiares na Metrópole, terminando, invariavelmente, com essa frase mítica que ainda hoje perdura na mente de muitos de nós.

É uma obra que, através de testemunhos fotográficos, tem a particularidade de narrar episódios da vida de cada um dos seus autores, que bem podem ser extensivos ao combatente em geral, cujas imagens nos permitem fazer uma leitura introspetiva dos momentos e circunstâncias que os seus protagonistas vivenciaram durante a sua permanência nos TO. Revelam, por outro lado, aspetos curiosos de relações humanas desenvolvidas pelos combatentes junto das populações autóctones, nas vertentes sociais e culturais, por exemplo, onde é percetível vislumbrar, no contexto da paisagem local, o seu modus vivendi, como algumas imagens deixam transparecer.

Pelo seu interesse histórico e pedagógico, recomendo-o vivamente.

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