Segunda-feira, 20 de Maio de 2024
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O papel das unidades militares da região no 25 de Abril

Apesar de o epicentro das operações do golpe militar, que derrubou a ditadura, ter sido o na região de Lisboa, também as unidades militares de Chaves e Vila Real tiveram missões na operação “Viragem Histórica”

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Em Portugal, a madrugada de 25 de Abril de 1974 foi um alvoroço. Em Lisboa, as forças armadas preparavam-se para pôr fim ao regime salazarista, com ajuda a chegar de vários pontos do país.

No caso do atual Regimento de Infantaria (RI) 19, em Chaves, na altura designado Batalhão de Caçadores Número 10, nesse dia ficou responsável por controlar o aeroporto de Pedras Rubras, no Porto, e a Via Norte.

O Batalhão de Caçadores 5016 dos Fronteiros de Chaves encontrava-se, naqueles dias, em instrução de aperfeiçoamento operacional em Viana do Castelo, antes de partir para África. Foi daí que, naquela madrugada, partiram em direção ao Porto, onde chegaram por volta das 6h30. Integrado no planeamento da operação idealizada por Otelo Saraiva de Carvalho designada “Viragem Histórica”, o major Medeiros de Almeida, dos Fronteiros de Chaves, comandou uma das duas companhias de caçadores que iria controlar o nó rodoviário do final da Via Norte, no Porto, e passou a controlar todo o tráfego rodoviário a partir das sete horas. Já o capitão Piteira dos Santos, também de Chaves, comandou a outra força que ocupou e assumiu o controlo do segundo aeroporto do país.

“A generalidade das unidades do exército e das forças armadas estiveram envolvidas no movimento dos capitães e Chaves não foi exceção, com uma participação ativa nessa madrugada”, explica o atual comandante do RI 19, Coronel Mendes Cavaco.

“O sucesso da operação esteve no planeamento, bem conseguido,
e no secretismo”
Coronel Mendes Cavaco
RI 19

Os militares estavam preparados para controlar estas zonas “caso existisse uma reação das forças fiéis ao governo”. Mas “o sucesso da operação teve a ver com o planeamento, bem conseguido, e com o secretismo”, sublinha.

A mobilização dos militares não era alheia à guerra colonial que se estendia há 13 anos. “Esta unidade era mobilizadora de forças para as campanhas no Ultramar, daqui saíram muitos militares para lá. Alguns ficaram feridos e outros perderam a vida”, referiu, sendo este um dos motivos para contestar o regime.

O RI 19 está a celebrar a data com ações de aproximação à comunidade, com explicações e demonstrações de material e equipamentos, nomeadamente nas escolas de Chaves.

RI 19 associou-se ao movimento

EQUIPAS EM PRONTIDÃO

Também o RI 13, em Vila Real, se juntou ao movimento e ainda que “não tenha participado diretamente no golpe de Estado, em Lisboa, teve um papel importante na promoção do processo de democratização na região”.

É com a ajuda do alferes Tojal, licenciado em história, que conhecemos um pouco daquilo que foi feito pelos Infantes do Marão. “O nosso apoio ao MFA (Movimento das Forças Armadas) consistiu em termos duas companhias de atiradores em estado de prontidão, caso fosse necessário atuar, sobretudo na região Norte”, explica, lembrando que “era no Norte, nomeadamente na cidade do Porto, que estava instalado um dos quartéis generais da PIDE”.

“O RI13 teve, sobretudo, um contributo para o processo de democratização
a nível local”
Alferes Tojal
RI 13

Contudo, “dado que não houve resistência por parte do regime não foi necessária intervenção do RI 13”, afirma, acrescentando que “nas primeiras semanas após a revolução, e com a agitação social inerente a um golpe de Estado, uma das nossas companhias foi mobilizada para o Porto, para a prisão de Custóias, para garantir que os presos pertencentes à PIDE não escapavam, mas, sobretudo, que a população não se vingasse de quem os perseguiu”.

Segundo o alferes Tojal, outra das intervenções do RI 13 aconteceu em Murça, tendo em conta que “o presidente da câmara foi destituído por ser afeto ao regime. A tomada de posse do presidente seguinte foi acompanhada por uma companhia do regimento, para que não houvessem ajuntamentos de pessoas nem tumultos sociais”.

“Foi, sobretudo, um contributo para o processo de democratização a nível local”, reforça, lembrando que “os militares do RI 13 reuniram-se junto à estátua do Carvalho Araújo para fazer sessões de esclarecimento à população sobre o que estava a acontecer”.

Sobre a revolução, o alferes Tojal refere que “aconteceu devido à insatisfação dos militares para com a guerra no Ultramar, onde estava a morrer muita gente”.

No caso do RI 13, “o comandante da altura, José Magalhães, associou-se ao MFA, ainda que com alguma reticência, porque as coisas podiam não correr bem”.

RI 13 teve duas companhias em prontidão

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