Segunda-feira, 26 de Julho de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

O pequeno (grande) comércio

Chaves, até pela sua proximidade com Espanha, sempre foi uma cidade comercial. Nesse sentido, proteger o pequeno comércio é fundamental para manter uma economia como a nossa.

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Infelizmente, o autismo com que se tomam determinadas decisões, embaciadas pela sensação de criação de múltiplos postos de trabalho, mas que na realidade não são mais do que trabalho precário e a prazo, para as pessoas que perderam o seu emprego numa loja do comércio local que fechou, é cada vez mais uma realidade.

É notório que cada vez mais existe a tendência de uma centralização de competências na autarquia, não se ouvindo ninguém. Este processo exacerba uma concorrência pouco saudável entre as autarquias e as associações, estreitando-se a margem para que as associações possam desempenhar plenamente as suas funções e desperdiçam-se recursos públicos com técnicos pouco preparados para o tema, prestando-se um pior serviço aos empresários flavienses.

Analisemos então os factos.

Todas as grandes obras que poderiam ser feitas na cidade para que o movimento populacional partisse do centro para o exterior e não “dispersar” para outras zonas muito afastadas, até que as dinâmicas no centro estivessem bem enraizadas, falharam.
O Museu das Termas Romanas continua fechado! A reabilitação do antigo Cineteatro nunca mais será possível, pois este foi cruel e precipitadamente destruído, afastando em definitivo a atividade cultural do centro histórico.

No manifesto eleitoral de 2017, o executivo municipal em exercício colocava como promessa: “apoiar o comércio local recorrendo às novas políticas de urbanismo comercial”. Mas afinal o que entende o Partido Socialista por “novas políticas de urbanismo comercial”?
Será a diminuição em mais de 50% do estacionamento na zona do Jardim do Bacalhau ou na Alameda do Tabolado? Será a supressão de sentidos de trânsito, fruto de uma desastrosa política rodoviária, tornando caótica a entrada na zona comercial da cidade, como aconteceu na avenida do Santo Amaro? Ou será a autorização de obra e abertura de mais duas grandes superfícies, nos últimos 3 anos, com ótimos acessos, esvaziando cada vez mais o centro histórico?

É uma pena que no egocentrismo das decisões, a ACISAT, que representa cerca de 400 associados, não ter sido ouvida em qualquer destes processos, sendo que, mesmo as sugestões dadas espontaneamente em relação às políticas de estacionamento, foram completamente ignoradas.

Possivelmente, pensará quem lidera o município que as propostas eram feitas por quem lidera a ACISAT, mas não. Eram a consolidação de opiniões de comerciantes que investiram na terra que amam e que são o motor da nossa economia. É que o culto ao líder, felizmente, não é geral!

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