Domingo, 22 de Maio de 2022
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O PRR e a linha do Douro

Continuam cada vez mais violentos os combates na Ucrânia. Esta guerra parece não ter fim a curto prazo e trará consequências difíceis de imaginar, nesta altura, para toda a Europa, que se repercutirão por muitos anos.

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Um dos principais setores afetados será o dos combustíveis, essenciais para a mobilidade, a impor uma “revolução” no sistema de transportes.

Escrevemos com frequência sobre a Linha do Douro, pelo que representa na economia da nossa região.

Mantém-se idêntica, desde há mais de um século, sendo evidente que são necessárias melhorias – a mais evidente das quais será a sua eletrificação. Não menos importante, a reconstrução do troço Barca de Alva/Salamanca ou, em alternativa, um novo traçado diretamente a Madrid. Seria “ouro sobre azul”.

A preocupação com a linha do Douro, tem sido acompanhada por muitas entidades, de que destaco a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, associação que recentemente promoveu uma petição à Assembleia da Républica, onde foi aprovada por unanimidade. Nesta petição pedia-se ao Governo para incluir no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) este grandioso projeto, por forma a que as obras não andassem a passo de caracol, como tem acontecido com a eletrificação, que já deveria ter chegado à Régua há mais de dois ou três anos e ainda não passou do Marco de Canaveses.

Para espanto de todos, não foi incluída no PRR, com o argumento (absurdo) de que a obra já estava incluída no Programa de Obras Públicas 20/30, que, como se sabe, não tem verbas suficientes para o muito que se pretende fazer em todo o país. Lamentamos vivamente que esta decisão tenha sido tomada, atendendo até à unanimidade que a petição mereceu na Assembleia da Républica.

Calculamos, porém, que sendo o PRR tão avultado em recursos financeiros, não contemplasse empreendimento que não ultrapassará muito os mil milhões de euros.
Porém, insistimos no argumento que esta guerra na Ucrânia coloca, que é o da subida exponencial do custo da energia nos transportes e seu reflexo no custo dos bens transacionáveis.

Só a ferrovia poderá minorar estes efeitos visto que, como todos sabemos, o transporte ferroviário é incomparavelmente mais económico do que o rodoviário, altamente consumidor de produtos petrolíferos, mais poluentes, com fim anunciado a breve prazo. O que se pede é que o Governo reveja a sua decisão, incluindo de imediato este projeto da Requalificação da Linha do Douro, nas suas primeiras prioridades. As finanças públicas agradecerão e nós, na região, também.

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