As queixas e desabafos que vou conhecendo nas conversas de café, ou em escritos de pessoas que se preocupam por estas coisa denotam como é pouco, mesmo muito pouco, atrativa a atividade política nacional. Os gritos – serão intervenções? –, os gestos agressivos – será que têm a ver com algum tipo de comunicação dos novos tempos? –, não motivam a esse acompanhamento. Mas como titula um certo programa televisivo: “alguém tem que o fazer”. Efetivamente, cumpre-nos essa tarefa. Se não for por outras razões, que seja o dever cívico de intervenção esclarecida sobre o nosso viver em comunidade.
Começa a pertencer ao passado o tempo das “contas certas”. Se ainda fosse para investimentos em políticas sociais que melhorassem os serviços de saúde, ou proporcionassem melhores condições nas escolas, ainda seriam compreensíveis os apelos que nos vão chegando pela comunicação social. Todavia, em vez de vermos problemas resolvidos em 60 dias, como prometia a Ministra da Saúde, chegam-nos notícias de piores serviços de saúde com grandes cortes, bebés a nascer nas bermas de estradas, ou em TVDEs; mais pessoas sem médico de família, cirurgias de natureza oncológica atrasadas e profissionais do setor a ameaçar fazer greve. Nas escolas, os problemas persistem: alunos sem professor, indisciplina e cenas de pancadaria que se difundem nas redes. Para cúmulo, o Governo prepara um pacote legislativo que destrói por completo a Agenda do Trabalho Digno que proporcionara aos trabalhadores o reconhecimento da sua importância na criação de riqueza, enfim, no desenvolvimento do país no seu todo. Aliás, a sua bondade foi reconhecida pela generalidade das confederações patronais e dos sindicatos. Por fim, a avaliar pela análise de especialistas em economia, as perspetivas de crescimento são mínimas, senão mesmo de deficit. A coesão territorial está em franca perda nos investimentos. Anos atrás afirmava-se que o crescimento económico podia ser bem maior! Afinal…
O “fim de festa” terá a ver com tudo isto e pode significar que chegámos a um tempo em que se desprezam as promessas/compromissos eleitorais e se tenta inventar argumentos para explicar como tudo se passa ao contrário das expetativas criadas. Mas não deixará de significar também que as benesses concedidas com aumentos extraordinários das pensões e as ilusões criadas com aparente reduções do IRS terminaram. A realidade será bem diferente.





