Quarta-feira, 10 de Junho de 2026
Ascenso Simões
Ascenso Simões
Ex-Secretário de Estado e ex-Deputado

Os municípios e o cartão vermelho

Uma das cadeiras do primeiro ano da Licenciatura em Gestão Autárquica do Instituto Superior de Educação e Ciências tem o nome pomposo de Teoria do Poder Local. No ano letivo de 2009/2010, coube-nos a função de lecionar a matéria, percorrendo os ciclos do pós 25 de abril. Ao longo destes anos de democracia, as autarquias já tiveram três levas de obrigações orçamentais. Essas levas possuíram vários enquadramentos, foram desenvolvidas em vários diplomas, mas todos foram no sentido do “reforço da autonomia financeira” dos municípios e das freguesias.

Em boa verdade, essa autonomia transformou-se numa quase “independência”, pelo desaparecimento da tutela de mérito, pela ausência de uma inspeção sectorial capaz, por desconhecimento de qualquer controlo financeiro válido e, ainda, por se ter consagrado uma espécie de jogo de “driblação” do Tribunal de Contas e das regras por este determinadas.

As contas municipais são, portanto, uma coisa difícil de entender, negacionistas da consolidação nacional, objeto de engenharias de todo o tipo e de processos de desorçamentação, através desses novos entes a que deram o nome de “entidades empresariais municipais”.

Conhecemos na passada semana, uma carta dos Senhores Ministros das Finanças e dos Assuntos Parlamentares, exigindo a todas as edilidades municipais, um reporte, cuidado e sério, da

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