É sempre importante lembrar este movimento dos padres operários, que deixaram um contributo e uma marca importante na vida da Igreja e da sociedade, esta assinalável ação da Igreja no diálogo com o mundo do trabalho.
A seguir à II Guerra Mundial, em França, constatava-se dentro da Igreja que a classe operária estava a ficar cada vez mais afastada da Igreja. Era preciso, por isso, promover um novo ardor missionário e uma evangelização que proporcionasse o encontro com o evangelho e a adesão aos valores da fé cristã a essa classe, mas também conhecer, viver e acompanhar a realidade operária, que tinha muitos problemas e desafios. Nesta senda, alguns padres católicos resolveram ir trabalhar para o meio dos trabalhadores, partilhando a sua condição e a sua vida. Jacques Loew, um padre dominicano que começou a trabalhar nas docas de Marselha em 1941, é considerado o iniciador efetivo do movimento.
No entanto, devido a lutas sindicais e a algumas confusões políticas e ideológicas, o movimento vai gerar algumas polémicas e perplexidades, o que levou a Santa Sé, pelo Papa Pio XII, a proibir com grande intransigência o movimento. Os padres foram obrigados a abandonar as fábricas e a regressar ao cumprimento dos seus deveres dentro da Igreja. Decisão que criou alguma divisão no universo católico. No entanto, depois do Concílio Vaticano II (1965), o movimento é de novo autorizado, com uma nova configuração. Como diz o Pe. Rui Pedro, é um movimento que não pode deixar de questionar a Igreja sobre “o tipo de presença que desenvolve junto dos pescadores e marítimos do Litoral e Ilhas, dos operários têxteis das Empresas, dos lavradores do Alentejo e do Interior profundo, das trabalhadoras domésticas, dos trabalhadores imigrantes e dos trabalhadores temporários portugueses pelo mundo”.
Nesta fase em que está em marcha a implementação da sinodalidade na vida da Igreja, o movimento dos padres operários bem pode servir de inspiração para a Igreja descobrir novas formas de caminhar com as pessoas na sua vida quotidiana, de acompanhar os vários mundos de que é feito o arco-íris social, e de estar mais próxima das várias e sempre exigentes e complexas realidades sociais e humanas onde o evangelho pode ser força de mudança, de esperança, de solidariedade, justiça e paz, no serviço a Jesus Cristo.






