Quinta-feira, 15 de Abril de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Páscoa pandémica

Seria esta a Páscoa que o país político merecia?

A Páscoa é, por tradição, uma festa mais religiosa ou mais popular, conforme os sentimentos e a educação de cada um. Em regiões de mais religiosidade dá-se mais importância às celebrações litúrgicas. Grande parte, porém, vive-a como uma ocasião para descomprimir, festejar com a família e os amigos, fazer umas breves férias. Enfim, limpar o stress que a estação invernosa nos deixou. Este ano, porém, a vivermos em pandemia, há outras razões para saudar a chegada da Páscoa.

A Páscoa, que em hebraico lembrava a passagem dos judeus pelo mar vermelho, quando saíram da escravidão do Egipto rumo à Judeia a sua terra de origem. Ou seja, a libertação de um pesadelo, para uma vida em liberdade. Em ano de pandemia, como aquele que temos vindo a viver, desde março do ano passado, bem gostaríamos que esta Páscoa viesse a ficar na nossa memória, como a altura em que acabou este confinamento que nos tem vindo a ser “receitado”, como remédio para ajudar a acabar com o “divertimento” que o coronavírus tem tido, à custa dos malefícios que causou ao ser humano. Seria, de facto, bom que isso viesse a acontecer.

Esta Páscoa, porém, está a ser agitada por um outro acontecimento, inesperado e cujas consequências não são ainda previsíveis. Uma querela política, que parece vir inquinar a relação política entre os vários órgãos de soberania. Uma lei aprovada na Assembleia da República, diz o Governo, por uma “Coligação Negativa”, (e a Geringonça não o foi?) que determina a criação de maiores ajudas sociais para centenas de milhares de cidadãos, que em virtude do encerramento das atividades em que trabalhavam, caíram no desemprego.

O que é certo é que estes diplomas agora aprovados na Assembleia da República e promulgados pelo PR, que tinham em vista acorrer a situações sociais de miséria, impossíveis de quantificar e até prever aquando da elaboração do Orçamento de Estado – OE, são inconstitucionais e por isso o Dr. Costa entende que é uma violação tão grave, das normas constitucionais, que justificam fazer uma birra com o Palácio de Belém.

Vamos ver como tudo isto acabará, sendo certo que, as verbas do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, da União Europeia, que também não estavam previstas quando o OE, em execução, foi aprovado, bem poderia acomodar esta despesa determinada pela tal Coligação Negativa, que deu origem a todo este imbróglio.  Seria esta a Páscoa que o país político merecia? Está tudo na vontade de quem nos governa há mais de uma meia dúzia de anos. Tudo o mais, são desculpas de mau perder.

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