Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Pastoral de proximidade

Os preparativos haviam começado dias antes para que tudo estivesse a preceito e as coisas pudessem correr como é timbre daquela aldeia.

Pessoas que trabalham a terra, sobretudo, vinhas e olivais, que, ultimamente, se tem mostrado algo madrasta. Comunidade diligente, com marcas ainda de boa vizinhança e que é capaz de entreajuda para celebrar momentos especiais, a freguesia/paróquia de Santa Eugénia fez jus ao que se lhe reconhece como brio em bem receber. Na transição do Douro para Trás-os-Montes sabe dizer com precisão de linguagem o “Entre quem é!”.

Também assim aconteceu na recente visita pastoral de D. António Azevedo. Mas numa comunidade rural, que já não chega a 300 habitantes – Censos de 2021 -, torna-se marcante o esforço na preparação da visita pastoral que aconteceria por aqueles dias. Foi a visita à capela no monte de Santa Bárbara, a sede da Junta – ainda se referia o Ecomuseu -, o Centro de Dia, a Casa de Cultura, com receção do Rancho Folclórico, que lhe cantou as Janeiras, contacto com a Comissão de Festas e reunião com a Comissão Fabriqueira. Para além da Eucaristia dominical e do sacramento da Confirmação. O habitual, estes dois pontos. Muito mais que isso, os restantes. As pessoas acharam por bem acompanhar o visitante. Registaram e comentaram o que viram. Com agrado, diga-se. “Oh! Cumprimentei-o e ele pareceu simpático”. Não há desdém nesta frase. Antes, simpatia e uma boa recordação. Pessoa que já viveu momentos destes bem diferentes, simplesmente formais, porque a idade lhe lembrava visitas de outros bispos, em anos passados.

Natural dali, mas adotado também por Vila Real, assistira a momentos semelhantes, quando na Junta de Freguesia recebemos o Senhor Bispo. Fiquei curioso quando tomei conhecimento do programa. Também ali? Mas era uma pequena freguesia, muito mais pequena, totalmente diferente da freguesia sede do distrito/diocese. Aparentemente, não seria de esperar o interesse do Bispo da Diocese pelo contacto com as instituições locais. E ocorreu-me um pensamento: aqui, sim, e talvez só a Igreja seja capaz de o fazer no tempo que corre, aqui, sim, é importante ter gestos e atitudes que aproximam os altos responsáveis e dirigentes das pessoas simples das comunidades rurais, sempre distantes dos poderes, laicos ou religiosos. Ouviu, nem sempre terá escutado, mas ouviu, questionou, recebeu apelos, alguns insistentes. Tudo normal a quem se expõe. E, assim, até quando se tomam decisões contrárias ao solicitado, as pessoas compreenderão melhor. Houve proximidade.

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