Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Primeiro ministro foi indecente com deputado Coelho Lima

António Costa irritou-se com o deputado social-democrata André Coelho Lima, no Parlamento.

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Na sua intervenção, o deputado vimaranense limitou-se, no uso legítimo da palavra, a reafirmar, olhos nos olhos, aquilo que milhões de eleitores, de todos os partidos, viram e ouviram sobre possível uso e o abuso da distribuição dos dinheiros da chamada “bazuca”.

Nessa mesma altura, o Correio da Manhã tinha afirmado em manchete que «antes de chegar ao país já tinham sido desviados 1600 milhões». António Costa ressentiu-se e vociferou contra um deputado eleito, como ele próprio fora eleito. Mais: o deputado pertence a um órgão fiscalizador. É ao governante que compete explicar-se ao Parlamento.

E não o contrário. Que o PS soma insultos, sempre que está na mó de cima, ameaçando, como fez Mário Soares, os inocentes polícias que o protegiam na viagem presidencial, ou o saudoso Jorge Coelho e outros, que apenas cito para me justificar, porque este até foi exemplar em muitas e graves situações.

António Costa deve estar magoado com os vimaranenses, desde que, na qualidade de ministro da Justiça, levou com uma posta de bacalhau demolhado no rosto, numa visita oficial à cidade Berço. Os vimaranenses lembram-se bem dessa desprezível cena, que eu próprio reprovei na imprensa da época. E, contudo, não foi tão ofendido em público como, agora, foi André Coelho Lima, vice-presidente da bancada do maior partido da oposição.

Teve para com o parlamentar e seu colega de formação académica, palavras que um advogado talvez goste de usar, mas que um filósofo repudia. Ei-las:

– “O que desqualifica a democracia é um deputado que se senta na primeira fila da sua bancada ter um tal nível de ignorância sobre o que é o Plano de Recuperação e Resiliência e o que são os compromissos já inscritos na lei sobre a transferência de competências dos municípios”;

– “O senhor não me conhece de parte nenhuma e, portanto, eu não lhe autorizo a fazer qualquer juízo moral sobre o meu comportamento, como eu não faço sobre o seu”.

Se conhece o valor de um silogismo, construa as duas premissas e analise a sua conclusão.

Talvez em direito encontre um argumento ambíguo que alimente o seu ego. Mas a Filosofia, que é a mãe de todas as ciências, implica o raciocínio dedutivo que não o autoriza a imitar aquele juiz negacionista, que na semana passada o Supremo Tribunal de Justiça afastou da magistratura. Todos nós somos iguais nos direitos e nos deveres. E António Costa perdeu uma boa ocasião para estar calado.

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