Quinta-feira, 5 de Agosto de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Propaganda às nossas custas

Durante a última semana, às custas dos munícipes, foram distribuídos 20 mil exemplares de uma publicação que persiste no erro de se designar “Boletim Municipal”.

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Essa publicação é de tal forma fantasiosa que, note-se, a capa é preenchida com uma imagem virtual, tal como no boletim de há exatamente 2 anos, que trazia um 3D de uma piscina que nunca mais ninguém viu.

Mas, aberta a publicação, o “por de intenções” continua, com mais três páginas de imagens 3D.

O cúmulo do despudor surge na página 8 da publicação, onde se lê “O investimento de cerca de 18 milhões de euros na regeneração urbana de Chaves, agora em fase de conclusão, traduz a aposta clara do atual executivo…”. Meus senhores, haja vergonha! Toda a gente sabe que as obras apresentadas nessas páginas foram na sua esmagadora maioria fruto de candidaturas efetuadas pelo executivo anterior. No entanto, e se o objetivo da Câmara Municipal era promover obras da sua gestão, podia perfeitamente ter colocado na publicação imagens reais das magníficas obras que prometeu, como as novas piscinas municipais, o pavilhão multiusos, o palácio da água ou a “solução rápida e económica para o museu das termas romanas”. Nada de nada! Só bonecada a três dimensões…

A publicação termina com o Centro Coordenador de Transportes, mais um projeto que vem do anterior executivo, mais uma tentativa desesperada de mostrar que se fez algo mais do que navegar ao sabor do vento.

Lamentavelmente, esta publicação de propaganda política não cumpre a Diretiva 1/2008 da ERC, onde é determinado que os ditos boletins municipais “(…) se regem pelo princípio do pluralismo e ao princípio de equilíbrio de tratamento entre as várias forças políticas presentes nos órgãos municipais, encontrando-se obrigadas a veicular a expressão dessas diferentes forças e sensibilidades, e em matérias relativas à atividade autárquica”.

Curioso, é relembrar as posições do atual presidente da CMC, e diretor do “Boletim Municipal”, e do seu vice-presidente, entre 2014 e 2016, sobre a referida publicação:
– No dia 18 de agosto de 2014, em Reunião de Câmara, o vereador do PS e atual Vice-Presidente da Câmara Municipal, Francisco Melo, disse: “o Partido Socialista considera que o mesmo é demasiado panfletário, sendo subtraída, do seu conteúdo, informação relevante sobre a vida da autarquia.”

– No dia 29 de abril de 2015, na sessão da Assembleia Municipal, o Presidente do Grupo Municipal do PS e atual Presidente da Câmara Municipal, Nuno Vaz Ribeiro, afirmou: “Estive a ler um documento interessante, que é o jornal de propaganda do PSD – o Boletim Municipal.”

Por tudo isto, e ainda pela constante promoção do culto da personalidade de alguém que foi eleito para servir todos os flavienses, apraz-me terminar citando Miguel Cervantes, “não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar no desespero”.

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