Sábado, 31 de Julho de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Robert Schuman

Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum. Trabalhar para o bem comum é dever do cristão”

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O Papa Francisco aprovou as virtudes heroicas de Robert Schuman, estadista francês e um dos fundadores do atual projeto europeu. Este reconhecimento das virtudes heroicas é um passo fundamental no processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato. André Philip, deputado socialista, recordava: “O que mais me tocou nele foi a irradiação da sua vida interior: estávamos diante de um homem consagrado, de uma total sinceridade e humildade intelectual, que apenas queria servir. Ficará na memória daqueles que o conheceram como a imagem do verdadeiro democrata, imaginativo e criador, combativo na sua doçura, sempre respeitador do homem, fiel a uma vocação íntima que dava o sentido à vida”.

Os fiéis leigos da Igreja têm aqui mais um belo exemplo do que se espera dos leigos no seu campo de missão, que é o mundo: levar o espírito do Evangelho de Jesus Cristo a todas as realidades e ambientes onde estão presentes, na família, no trabalho e restantes atividades sociais, testemunharem com autenticidade e coerência os valores cristãos na sua ação política, económica, cultural e social, serem presença de Cristo e da sua Igreja nos diversos caminhos do mundo sem temores e ambiguidades. Esta é a missão específica dos cristãos leigos, muito para lá de pensarem que são meros participantes, para não dizer espectadores, de ritos na Igreja, praticantes de hábitos, consumidores de devoções ou cumpridores de tradições religiosas.

Num tempo em que muitos se estão a dispor para terem uma maior participação na vida política das comunidades, sendo candidatos a edilidades e juntas de freguesia, espero que tenham noção dos elevados princípios e valores que devem reger a política e da nobreza da missão que exercem, com verdadeira vontade de servir o povo e construir o bem comum de toda a comunidade, como fez o cristão Robert Schuman. O Papa Francisco deixou isso bem vincado aqui há uns tempos: «Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum. Trabalhar para o bem comum é dever do cristão». A política não é para quem quer atingir apenas os seus interesses e do seu grupo ou partido, ter salário e governar a vida, enriquecer, muitas vezes, sem olhar a meios, poder ter influência e domínio sobre os outros, ter poder e reinar com vaidade, distribuir favores e proveitos por bajuladores e apaniguados, conquistar prestígio e projeção para matar a sede do egocentrismo ou da popularidade saloia.

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