Fui onze vezes. Normalmente ia no 2º e no 4º bimestre, pois coincidiam com o intervalo entre o 1º semestre o 2º semestre na UTAD e com o final do 2º semestre e o período de exames.
Assim era para mim muito mais fácil conjugar as minhas obrigações como docente da UTAD e as correspondentes à condição de Coordenador do Curso de Engenharia Eletrotécnica, ministrado pela FUP na UNTL-Universidade Nacional de Timor Leste. Nesse tempo Timor estava num período em que precisava de ajuda e isso permitiu-me ter muitos contactos com os militares de portugueses que lá se encontravam como cooperantes e/ou ao serviço das Nações Unidas.
Timor estava sem infraestruturas públicas e privadas e havia poucos restaurantes, especialmente quando se saía de Díli. Como o recrutamento dos docentes para este curso era da minha responsabilidade, permitiu-me “sentir” o que cada um deles pensava. Normalmente quando um docente ia uma vez, sempre se candidatava para ir de novo. Porque razão isso acontecia? Em conversas que tínhamos uns com os outros, dizia-se que a razão de querer repetir talvez tivesse a ver com o facto de Timor ter uma natureza de grande beleza, ainda sem as intervenções do homem que, muitas vezes, querendo melhorar, estraga. As paisagens eram fantásticas e as pessoas muito atenciosas e simpáticas.
O que é que me fascinou para cooperar com Timor? Tudo o que antes disse e mais ainda a ocupação que eu fiz do tempo, para lá das aulas que lecionava. Como não gosto de praia, que as havia e de grande qualidade, das quais destaco a da Areia Branca, famosa desde o tempo em que Timor era uma colónia portuguesa, situada à saída de Díli a caminho de Manatuto e Baucau. Era para lá que muitos dos docentes iam durante a semana depois do dever cumprido. Nos fins de semana, quase sempre saíamos em grupo, para conhecer o Timor profundo. Sentíamo-nos muito bem no contacto com os timorenses. O facto de haver poucos restaurantes, as estradas serem más ou muito más, repetíamos as saídas sempre que nos fosse possível. Aproveitávamos para almoçar em restaurantes familiares e para conversar com as pessoas que assim nos davam a conhecer os seus costumes e as suas tradições. Por isto que vos digo, não estranhareis que os docentes que iam uma vez sempre queriam ir mais vezes. Assim a minha vida ficava muito facilitada na seleção dos docentes do Curso de Engenharia Eletrotécnica que era da minha responsabilidade.
Todos nos sentíamos atraídos por aquele jovem País. E regressávamos sempre com grande vontade de contribuir para o seu desenvolvimento. Ainda hoje sempre que vejo notícias de Timor fico emocionado. Então os contactos, via Facebook, que tenho com os meus antigos alunos, enchem-me de alegria e constitui para mim um grande orgulho vê-los bem colocados na vida e a contribuir para que o seu país caminhe em segurança para um futuro melhor.




