Começamos com António Gandra d’ Almeida, diretor do INEM do Norte, com sede no Porto, que – segundo aquilo que se vai noticiando – acumulava as mencionadas funções com as de médico tarefeiro nas Urgências de Faro e Portimão.
Para além da discutida incompatibilidade, encontramo-nos perante um caso de esforço físico tremendo, dada a distância superior a 500 km entre as localidades onde o ex-diretor exercia funções.
Seguiu-se o mais mediático, demonstrando clara ausência de noção cívica, desespero e transmitindo vergonha alheia. Quão mal tem de se fazer representar a classe política nacional para um Sr. Deputado ser, alegadamente, apanhado a roubar malas dos tapetes do aeroporto para ulteriormente vender na plataforma Vinted.
Quão inocentes e pouco inteligentes se presumem os eleitores, para o visado ter o desplante de invocar a existência de imagens alteradas por inteligência artificial e o total desconhecimento da conta na referida plataforma.
Que política é esta proporcionadora de regalias – gabinete próprio, funcionários, maior tempo de intervenção e orçamento de 5 mil euros – a quem pega em bens de terceiros em busca de perfumes, powerbanks e camisas para revender.
O mais recente caso, pelo menos ao dia em que vos escrevo, concerne com o nosso território transmontano e personifica-se na demissão de Hernâni Dias, ex-presidente da Câmara Municipal de Bragança e anterior Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.
Segundo a imprensa generalista, a cessão de funções do visado motiva-se pela constituição de duas sociedades conectadas com o setor imobiliário e da construção civil, circunstância que desencadeou suspeitas de conflito de interesses por poderem ser beneficiárias da lei dos solos, processo do qual o ex-Secretário participou.
Não bastante, e em conformidade com o tornado público pela RTP, o ex-autarca encontra-se a ser investigado pela Procuradoria Europeia, estando em causa alegadas irregularidades nas obras de ampliação da zona industrial de Bragança.
Conforme podem constatar, ainda a procissão vai no adro e, num prazo de 4 semanas tivemos 3 casos mediáticos de pouca transparência que levaram a demissões ou – no caso de Miguel Arruda – a promoções, sendo que certamente não existiram mais ocorrências na classe política porque poucos serão os que já retomaram plenamente a atividade depois da quadra festiva.




