Sábado, 26 de Novembro de 2022
Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A Corja – de 25 de Abril de 1924

Na relação das muitas e simpáticas mensagens de Natal e Ano Novo, recebi uma cópia da capa do Panfleto semanal de crítica política dirigida e editada pelo diretor Martins dos Santos.

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Era o nº 1 desse jornal que tinha sede na Travessa das Mercês 31, em Lisboa e que não deixa de expressar o simbolismo da mesma data, mas de meio século depois. Eis a espécie de editorial dessa 1ª edição:

“A canalha pretende que os cidadãos acreditem na justiça e nos políticos mas todos eles nos dão razões de sobra para não acreditar nem respeitar nenhum deles.

1. Como é possível que os crimes de homicídio, pedofilia e corrupção prescrevam?

2. Como é possível que não haja uma legislação clara e rigorosa sobre o enriquecimento ilícito?

3. Como é possível que as relações pessoais entre juízes ou entre Instituições contaminem (impunemente!) o funcionamento da Justiça?

A impunidade da corrupção na política e na justiça traduz a ineficácia e inépcia dos juízes e MP, mas a legislação que o permite responsabiliza toda a classe política que teima em não legislar de forma clara sobre o combate à corrupção e enriquecimento ilícito.

Insistem em alcançar este regime de «Democracia» quando se tem revelado ser um regime de vigaristas para vigaristas que se protegem e encobrem uns aos outros”

Este introito político da primeira República, foi escrito e publicado há 98 anos. Igualmente nos fins de uma pandemia e após a I Guerra mundial conduziu aos 48 anos do Estado Novo. Exatamente, tantos quantos levam a democracia. Um empate em análise aos 96 anos.

Sobretudo a Europa que, entre 1939 e 1945, suportou a II Guerra Mundial, fragmentou-se nos meados do século XX. Portugal crescera com os descobrimentos, atingindo o estatuto de império mundial. Enquanto houve mundos a descobrir para civilizar fomos um Povo de heróis e de santos. O orgulho em ser Português, em nome dos Reis e da Fé que encarnava, no amor à Pátria e aos desígnios que dela dimanavam, perdeu-se com a implantação da República. Trocaram-se os valores morais que vigoraram oito séculos, pelas ideias importadas que revolucionaram as mentalidades. Portugal semeou, mas não colhe. A ganância, a vaidade e o atropelo, sobrepuseram-se à norma cívica, cultural e social dos povos. A razão foi atropelada pela multidão. A verdade dilui-se nos corredores dos tribunais e a ralé, será sempre o que é.

A corja sempre existiu. Mas hoje, como em 1924, temos o dever de avisar a «canalha» de que os crimes de homicídio, pedofilia e corrupção não podem prescrever; a legislação terá de ser clara, rigorosa, universal; e que a equidade e a justiça sejam de ferro maciço.

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