Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
Ernesto Areias
Advogado. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

A nova ordem

A situação de pandemia que estamos a viver na Europa e um pouco por todo o mundo tem sido fonte de grandes incertezas. Tal como a doença, preocupam a economia, o emprego, o consumo e as diversas variáveis em que assenta a evolução económica. No tempo que vivemos, que esperamos seja breve, devem ser motivos […]

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A situação de pandemia que estamos a viver na Europa e um pouco por todo o mundo tem sido fonte de grandes incertezas. Tal como a doença, preocupam a economia, o emprego, o consumo e as diversas variáveis em que assenta a evolução económica.

No tempo que vivemos, que esperamos seja breve, devem ser motivos de alerta, em primeiro lugar os riscos de contrair Covid com consequências sempre imprevisíveis para a saúde, apesar de as estatísticas apontarem as pessoas sujeitas a maiores riscos. Com o devido cuidado podem evitar-se cadeias de contágio de modo a que o vírus perca capacidade de infetar e seja conseguida imunidade de grupo.

Em segundo lugar, preocupa a situação das economias dos diferentes países que dependem umas das outras.

Na grande depressão, que teve início em 2008, houve o propósito de esmagar as economias mais débeis do sul da Europa deixando-as à mercê dos mercados predadores e agências de notação vocacionadas estas para ajudar ao saque dos países mais pobres, dando-se hoje conta que há erros em que não deve insistir-se.

Por outro lado, preocupa a sustentabilidade dos sistemas políticos, designadamente dos democráticos que têm mostrado debilidades ante uma onda de tentações autocráticas e populistas com vista à restrição das liberdades fundamentais dos cidadãos.

 Com esta crise nasce, por certo, uma nova ordem mundial que assentará em três potências económicas. A oriente a China, provavelmente a maior economia do mundo de onde não sopram ventos de transparência e liberdade, de onde sopram tendências hegemónicas e de esmagamento das outras economias. A meio, a União Europeia que tem uma oportunidade única de se unir e fortalecer apesar das diferenças entre os países do sul, os do centro e do norte e os que apostam num registo contrário aos ideais europeus, estes assentes em modelos ditatoriais.

Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos que me parece terem perdido importância devido ao fechamento sobre si próprios, dirigidos por um presidente de comportamento errático e egocêntrico, que não conhece o mundo e que de política internacional não deverá saber absolutamente nada.

Creio que nenhum outro regime mostrou debilidades tão evidentes dos seus sistemas de proteção na saúde e no emprego como o estadunidense. 

Não era de imaginar que em dois meses se perdessem mais de quarenta milhões de empregos deixando a população ativa e os que dela dependem em situações de grande fragilidade social.

Também o Brasil, a oitava economia do mundo, se viu enredado nas suas insuficiências, incapaz de responde nos domínios da saúde e dos apoios sociais.

Os países que assentam em modelos neo-liberais revelaram-se verdadeiras máquinas de fabricarem pobres sem preocupação com o comum dos cidadãos.

Valerá a pensa repensar o mundo, criar teias de solidariedade económica e social, de educação e ciência no pressuposto de que o todo será maior se cada uma das partes também o for.

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