Não faltarão, de certeza, solicitações para contarem e partilharem a semana intensa e marcante que passaram em Lisboa. Poderá ter sido decisivo para muitos a definição de uma vocação, maior maturação na vivência da fé, a descoberta de Deus e do seu amor, a entrega ao ideal cristão, o compromisso com Jesus Cristo e com a Igreja. Esperemos que a seu tempo apareçam os frutos da semeadura que o paciente semeador fez em Lisboa. Há que agora pensar no Pós-Jornada, e se há tema que nos deve preocupar é como é que anda a cultura e a pastoral juvenil nas nossas comunidades, para que esta Jornada Mundial da Juventude não se transforme em fogo de artifício.
É notório que os jovens desapareceram de muitas comunidades cristãs, embora continuem muito presentes noutras, por diversas razões. Depois desta jornada, não podemos continuar a permitir esta indiferença ou acomodação. As comunidades cristãs têm, de novo, de ir à procura dos jovens, e estes têm de se deixar encontrar pelas comunidades.
Os jovens têm de ter mais protagonismo e é preciso dar-lhes o devido espaço na comunidade, na liturgia e na pastoral. Mas será também um trabalho da família, e não há verdadeira pastoral juvenil sem a presença e a intervenção da família. Aqui há uns tempos um pai queixava-se de que numa certa comunidade não via “malta nova”, quando nem ele nem os filhos participavam na vida comunitária. De que milagre está à espera? E as comunidades têm de mudar muito para integrar melhor os jovens. Alguns cristãos mais velhos clamam por não haver jovens, mas quando estes aparecem, nem sempre convivem bem com as suas iniciativas, dizem logo que só fazem barulho, não têm piedade, são modernos de mais, são irreverentes, ou até que vão ter de esperar pela vez deles, porque na paróquia já há lugares marcados e rotinas de que não se pode prescindir.
Decisivo será agora ir ao encontro dos jovens, lançar-lhes o convite da fé e estar disposto a trabalhar com eles e acompanhá-los todos os dias, trabalho que muitas comunidades desaprenderam a fazer. Será fundamental que a vida das comunidades cristãs seja atrativa, onde se encontrem pessoas deslumbradas e alegres na vivência da fé e comunicadoras de humanidade, onde se viva um verdadeiro amor e espírito de serviço, e não comunidades tristonhas, que só vivem ao toque de rotinas e costumes.





