Quem nunca saiu de Lisboa ou do Porto, ou, quando muito, das redondezas, a não ser nas fugas às sextas-feiras para o Algarve, considera, agora, que está a pagar com os impostos esta regalia para as regiões do interior. Trarei, por isso, a este meu Visto do Marão duas ou três notas de factos que conheço. Numa das visitas a uma fábrica de uma multinacional, aqui, em Vila Real, duas solicitações foram feitas. Uma tinha a ver com a necessidade de fazer avançar o túnel do Marão, que o governo tinha mandado parar. Motivo: “nós precisamos de saber que o produto que exportamos pode chegar ao porto de Leixões sem os problemas que o Alto do Marão nos provoca e a expansão da fábrica para mais duzentos postos de trabalho poderá ser também uma realidade”. Num outro momento e circunstância, uma grande empresa de vinhos do Douro falou-me na importância que Vila Real tinha no momento pelo cruzamento de duas autoestradas, mas que o ideal seria não estarem sujeitas a portagem. Pretendiam instalar na zona uma adega e exportar a partir daqui, por Leixões e pelas rotas viárias para o mercado europeu. Hoje, há várias adegas na área da zona industrial de Vila Real, para além da sua Cooperativa, que tem mais de 1000 sócios. A abolição das portagens veio facilitar a vida às empresas, a essas e a outras que, entretanto, se instalaram no Regia Douro Park, bem como aos seus trabalhadores. E o pórtico da A24, entre a zona industrial e o IP4, deixou de causar despesa irracional aos que por ali passam na deslocação de e para o trabalho. Aliás, tal como na 2ª Circular, em Lisboa, ou na VCI, no Porto.
Acompanhei o processo da extinção dos pórticos na VCI. Congratulei-me com o êxito do processo. Mas creiam que estamos cansados destas e outras discriminações. Agora, é a CGD que diminui os serviços nas Agências e se prepara para encerrar umas tantas. “Apesar de lucros recorde”, como se lê no site da RTP. Que mais? Quando poderemos contar com o mesmo sentido solidário de todos como nós tivemos quando nos congratulámos pela introdução de passes a 40,00€ nas Área Metropolitanas e de 20,00€, os Verdes, nos comboios? A coesão social e territorial exige reciprocidade.





