Segunda-feira, 16 de Maio de 2022
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Abril, 17 500 dias

Seria somente um número, este que titula o Visto de hoje. É bem mais. Significa que a geração que viveu o 25 de Abril de 1974 vê agora terem passado mais dias, desde então, em democracia, do que os que Portugal viveu em ditadura.

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Assim se compreendem muitos escritos que se leram nas redes e em artigos e notícias de meios de comunicação a propósito de tão importante e significativo momento. Ali, bem perto, na manhã do dia 25 de Abril de 1974, tinha-se vivido um dos momentos mais tensos da revolução dos cravos. O choque entre a força comandada por Salgueiro Maia e uma outra que defendia o regime. Há mesmo quem afirme que foi a atitude corajosa, sem medo, dos homens vindos de Santarém que deu início à viragem efetiva da correlação de forças. Foi, pois, muito a propósito a escolha do Pátio da Galé para a abertura das comemorações dos 50 anos de tão importante data.

E a cerimónia teve momentos importantes, a reter. Para além do local, das condecorações outorgadas a militares de Abril, o envolvimento das gerações mais novas na efeméride – a jovem poetisa Alice Neto de Sousa e a Orquestra Geração, constituída por jovens músicos num interessante projeto de inclusão social. A certo momento, receei que a televisão de serviço público se alheasse daquele momento. Felizmente, não. E foi bom poder ver aqueles jovens músicos a interpretar “O Governo do Povo”, um original de Bruno Pernadas, composto para o ato, as “senhas” da revolução (“E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso), assim como o poema “Março”, que Alice Neto de Sousa criou para este momento. Que bom ouvir que «é preciso dar uma alma a toda a gente, que a liberdade é muito mais que uma mensagem secreta, uma indireta escondida no meio do poema» – afinal, “a liberdade está a passar por aqui” (Sérgio Godinho), pelos jovens de hoje, que os jovens de outros tempos cantaram e/ou conquistaram. Uns e outros são merecedores de gratidão, que o Primeiro-Ministro lembrou. Porque criaram espaço para a solidariedade, nas palavras do Presidente da Assembleia da República. Coerentemente, o nosso desafio, hoje, é lançar sementes de futuro, nas palavras do Presidente da República.

Não se sabe, agora, como vai continuar o programa das comemorações. Agora, que o Presidente da Comissão Executiva vai para o Governo. Mas começou muito bem. Desenganem-se os de vistas curtas, que não lhes reconheciam capacidade para surpreender. Será bom continuar assim.

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