Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Ambição

Vai longe o ano de 1983, quando o eng.º Vilar Queirós, um conterrâneo de Vilar de Maçada, então Administrador da TAP, nos procurou na Câmara Municipal de Vila Real, a que presidiamos, desafiando-nos a criar uma empresa regional de aviação, tendo em vista ligar, diariamente, Bragança, Vila Real e Viseu a Lisboa, por via aérea.

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Qualquer destas cidades possuía pistas de aterragem, embora curtas para aviões de grande porte, mas com capacidade suficiente para aeronaves de pequena dimensão.

Em boa verdade, nunca havíamos equacionado antes tal hipótese: Possuir uma carreira aérea diária, ligando estas cidades à capital do país.

O eng.º Vilar Queirós sabia do que falava e o seu desafio era suportado numa longa experiência de ultramar, uma vez que tinha sido o Secretário Provincial dos Transportes, em Moçambique. Aceitámos o repto. Contactados os colegas autarcas de Bragança, Viseu e Covilhã, constituímos uma empresa de navegação aérea regional, de que foram associadas as referidas Câmaras Municipais, a TAP, os CTT e uma empresa de turismo sediada em Lisboa. Assim, nasceu a LAR-Linhas Aéreas Regionais. Esta empresa, com o apoio da TAP, passou a ligar, diariamente, de manhã e à tarde, as cidades de Bragança e Vila Real, diretamente ao aeroporto da Portela, –com o compromisso de alargar as rotas e as frequências se o tráfego o justificasse.

Uma das penalizações desta operação foram as dimensões das pistas dos aeródromos. Bragança deu um passo em frente e ampliou a sua pista para 1.600 metros. Em Vila Real, no nosso tempo, não tivemos essa capacidade. Ficámos a aguardar que quem nos substituísse, tivesse esse arrojo, porque nem sequer se tratava de uma obra que não estivesse ao alcance das finanças do município. O alargamento da pista iria permitir a operação da LAR, com aviões de outra dimensão, 50/60 passageiros, e gerava condições para a redução significativa do preço das passagens aéreas.

Tínhamos a esperança de que agora, a propósito de uma pequena reparação na pista, fosse equacionada a sua ampliação, visto que os Fundos Comunitários do Programa de Resiliência, ou do Programa 20/30, permitem essa capacidade. Porque não ter então essa ambição, quase trinta anos depois de se ter iniciado a operação da LAR?

Será que o interior estará condenado à supressão dos comboios e ao definitivo encerramento das linhas do Corgo e do Tua? E a linha do Douro chegará de novo a Salamanca? Aqui deixamos o desafio com a certeza de que não se está a sugerir nada de impossível. Este norte interior, “aldeia global” em que vivemos, agradecerá.

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