Sábado, 4 de Dezembro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Aprender a caminhar juntos

Está em marcha a grande metamorfose da Igreja neste século 21: a construção de uma Igreja sinodal.

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Transformação que entronca profundamente nos ditames do Concílio Vaticano II e que foi maturada na reflexão eclesial nos últimos anos. Muitos consideram que estamos mesmo perante um acontecimento histórico. Decorrerá até 2023, com a realização do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade. Todo um caminho e um processo de aprendizagem e de conversão à identidade sinodal da Igreja, que, como afirma o Papa Francisco, ainda assim, é muito fácil de proclamar, mas muito difícil de concretizar.

Sinodal vem da palavra grega synodos, uma preposição e um substantivo que significam literalmente caminhar com, caminhar em conjunto, caminhar juntos. Uma Igreja sinodal é uma Igreja em que todos caminham juntos, se dá voz a todos, se vai ao encontro de todas as periferias da Igreja e não se deixa ninguém para trás. Mais do que uma estrutura ou um processo, a sinodalidade tem de se tornar uma dimensão fundamental do ser Igreja, o estilo natural de ser Igreja, onde todos os batizados têm a oportunidade de se expressar e de ser ouvidos, a fim de contribuírem para a construção, ação e missão do Povo de Deus. Uma Igreja onde se aprofunda o seu mistério de comunhão e se chamam todos os cristãos a serem corresponsáveis na vida eclesial. Significa descentrar a Igreja da hierarquia, sem deixar de ser hierárquica, diluir o clericalismo, sem diminuir a natureza e o valor do Sacramento da Ordem, descentralizar a Igreja de Roma, sem deixar de respeitar a sua sede e o ministério petrino. Numa entrevista, o papa Francisco afirmou: “A Igreja nasce das comunidades, nasce da base, nasce do batismo, e organiza-se em torno de um bispo. Ou há uma Igreja piramidal, em que se faz o que o Papa diz, ou há uma Igreja sinodal, onde Pedro (o Papa) é Pedro, mas acompanha a Igreja e a faz crescer, escuta-a, discernindo o que vem das comunidades e devolvendo-o. A sinodalidade é a unidade na diferença. Uma Igreja sinodal significa que se dá o movimento de cima para baixo e de baixo para cima. Pedro (Papa) é o garante da unidade da Igreja”.

Contudo, não se entenda por sinodalidade a introdução da democracia e do parlamentarismo na Igreja. A Igreja jamais pode ser governada por uma maioria e a sua condução não se faz de grupos que se confrontam e excluem uns aos outros. Quem conduz a Igreja é o Espírito Santo, a quem todos devem ser dóceis, e com Ele construir a unidade na diversidade.

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