Domingo, 26 de Setembro de 2021
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

As mudanças do planeta Terra

O Planeta Terra não precisa de ser salvo nem as espécies que nele vivem

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Nestes primeiros dias de desconfinamento relativo, têm aparecido nos órgãos de comunicação social ideias que alguns poderão não achar interessantes, não indo elas de encontro com o pensamento alinhado e correto.

Acontece que, talvez por mal dos meus pecados, fui ensinado, desde menino, a olhar para o outro lado das coisas, a “levantar as pedras” e, principalmente, a colocar-me no lugar do outro seja ele qual for.

Neste caso, o “outro” é o planeta Terra e espanto-me até, que tanta gente, formada e profundamente do que eu nas coisas da biologia e geologia e, consciente que está da fragilidade das coisas e da vida, não seja capaz de seguir e explicar aos “quatro ventos” e com palavras suas, o “grande poeta Camões” na sua afirmação de que “tudo é feito de mudança”.

Em boa verdade, o Planeta Terra não precisa de ser salvo nem as espécies que nele vivem.
Alguns cientistas e biólogos falam da extinção das espécies, da sua evolução, de placas tectónicas em risco, ou de vulcões, para poderem integrar num raciocínio lógico aquilo que acontece todos os dias no Universo. Mudam as coisas, muda o planeta, algumas espécies morrem, outras surgem, o chão cresce e desaparece, sobe ou desce e o equilíbrio mantém-se.

Em contra partida, o Homem é um curtíssimo acidente no que diz respeito à vida na Terra, ou da Terra.

Vulcões, tufões, rios de lama etc., acontecem volta e meia. O petróleo do Sará resulta de enormes florestas que por lá existiram, do mesmo modo que os Pirenéus resultam da placa da Península Ibérica continuar a querer encostar-se ao resto da Europa, num movimento multimilenar. É, por isso, que há fósseis de dinossauros “americanos” na Península e que não aparecem no resto do “velho continente”. O que vemos estar a acontecer à nossa volta pode ser também da ação humana, mas tenho para mim que a única “conversa” que precisa ser efetivamente dita, não é de querer “salvar o Planeta”, mas sim perguntar se estamos preparados para as mudanças que vêm aí, partindo do princípio de que queremos continuar a existir.

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