Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024
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Confraria promove há mais de 40 anos o vinho do Porto

A Confraria dos Vinhos do Porto nasceu em 1982, na cidade Invicta. É uma organização honorária guardiã do património imaterial, que foi constituída para combinar a tradição com uma visão inovadora para o futuro do Vinho do Porto. Os mais de 2.500 membros têm a missão de reforçar a imagem do Vinho do Porto pelo mundo.

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A 31 de janeiro, foram eleitos os novos órgãos sociais da Confraria para o mandato de 2023 a 2025. António Saraiva foi eleito chanceler e a VTM foi conhecer os desafios que tem pela frente, em tempos que não estão fáceis, mas que a confraria pretende dar a volta com a ajuda de todos.

Após 18 anos na direção da Associação de Empresas de Vinho do Porto, 12 dos quais na qualidade de presidente, António Saraiva abraçou este desafio com o objetivo de promover e levar cada vez mais longe o nome do Vinho do Porto.

António Saraiva

“A Confraria dá uma dignidade à história dos nossos vinhos. Quando vamos aos Estados Unidos da América e falamos da história da nossa região, que foi demarcada e regulada em 1756, os americanos ficam impressionados. Depois, há todo um cerimonial que a Confraria faz questão de apresentar que dá ao produto uma nobreza fantástica. E é esse o papel, mostrar que o vinho do Porto é muito mais que um vinho, é história, valores, identidade de um povo”, explicou o chanceler, que se mostrou preocupado com a redução das vendas que se tem verificado em alguns mercados.

VENDAS

As últimas estatísticas, de abril, mostram que há uma quebra acentuada nas vendas, sobretudo nos mercados belga e inglês. “Estamos a falar de 9,5% em quantidade e 9,1% em valor. A grande quebra verifica-se na Bélgica, com 21,2%, um mercado com um peso muito elevado. Nos últimos anos, o mercado nacional tem estado  a assegurar o crescimento, mas, agora, até está a cair 1,3%”.

Para inverter esta tendência de quebra, António Saraiva defende a aposta na promoção. No entanto, lamenta que o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) não financie essa promoção. “É o organismo que tem cerca de 10 milhões de euros cativos, dinheiro pago pela produção e comércio através de taxas, que deveriam ser aplicadas na promoção dos vinhos”, revela.

Lamenta que tenham de pagar a taxa de retenção “mais elevada dos vinhos portugueses e que depois fica apenas a engordar o saldo do IVDP, que poderá vir a ser integrado no Orçamento Geral do Estado, como já aconteceu e não faz qualquer sentido. É um problema gravíssimo, porque o Conselho Interprofissional aprovou o plano de promoção e investimento pelo IVDP, mas depois não serve para nada, porque não é executado. No ano passado, foi executado em apenas 50% e este ano andaremos na volta dos 20%. É muito mau que não se faça essa promoção”.

“A Confraria já teve verbas por parte do IVDP e deixou de ter. Desta forma, a cada ano que passa, tudo fica mais difícil e é até imoral o que está a acontecer”

MERCADOS A CONQUISTAR

Apesar de o vinho do Porto ser um produto muito conhecido no mundo, o chanceler diz que ainda há muito para conquistar, dando como exemplo o mercado americano. “É o que tem mais potencial de crescimento, mas, como estamos a falar de 50 Estados, era muito importante haver uma aposta clara na promoção”.

O mesmo responsável lembrou que quando a Confraria vai a qualquer lado, “não passa despercebida, porque as pessoas sentem-se verdadeiramente honradas ao serem entronizadas. Elas sabem que estão a entrar num clube de apreciadores de um produto único”. No entanto,  volta a bater na mesma tecla, a falta de financiamento. “A Confraria já teve verbas por parte do IVDP e deixou de ter. Desta forma, a cada ano que passa, tudo fica mais difícil e é até imoral o que está a acontecer”.

FUTURO

Para ultrapassar as dificuldades, António Saraiva defende a transformação do IVDP numa CVR – Comissão Vitivinícola da Região do Douro. “É preponderante isso acontecer, para que o dinheiro que se paga possa ser aplicado na promoção. Não faz sentido nenhum o que se está a passar, com a lavoura descapitalizada e as empresas com muitos stocks. Ou seja, para podermos pagar mais, temos de vender mais e melhor. Mas para isso, é preciso promoção. É tão simples quanto isso”.

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