Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

COP 27: A Cimeira do clima

Está a decorrer no Egito a COP 27, o maior fórum global do clima, encontro no qual o mundo tem os olhos postos, na expectativa de que se encontrem resultados que travem a crise climática que vivemos.

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Há poucos dias, o Secretário-Geral das Nações Unidas, referiu, num apelo dramático, que “estamos a caminho do inferno climático”.

Há quem se interrogue, sobre se esta Cimeira vai ser suficientemente ambiciosa e bem-sucedida. Pela nossa parte e pela experiência de vida que temos, afirmamos sem reservas que de boas intenções está o inferno cheio. É urgente que, um bom número de cientistas se esforce por encontrar soluções para os graves problemas decorrentes das alterações climáticas, algumas naturais. Na verdade, é que uma parte da humanidade gosta de levar um determinado estilo de vida, e outra parte não tem sequer meios para viver de maneira diferente. Um autor que lemos há pouco tempo, afirma o seguinte: a crise ambiental e climática está num vertiginoso curso exponencial de crescimento. Entre 1880 e 1981, o aumento da temperatura média da Terra, por década, foi de + 0,08ºC. De 1931 a 2021 o valor por década foi de 0,18ºC, ou seja, de 1981 a 2021 o valor por década subiu para + 0,18º C. Estes números, parecem não assustar a população em geral, que continua, alegremente, a não pensar no assunto e a não ter em atenção as recomendações, que estas cimeiras apenas aconselham, quando deviam impor aos Estados, que através de legislação, os obrigassem a cumprir.

É sabido que há uma imensa dificuldade em mudar o mundo. Porém, é absolutamente importante fazê-lo para evitar o ponto de não retorno. Há que pensar que energias renováveis nos interessam e que modelos de produção queremos para elas. Será que o nuclear tem algum papel a desempenhar, ou pelo contrário constituiu um perigo, como muitos afirmam?

Outras questões: como desglobalizar parte da economia, encontrando cadeias de produção e distribuição, sem que isso venha a afetar os países pobres, mantendo-os na miséria? Como mudar a alimentação e a agricultura sem destruir culturas e identidades? No que respeita à mobilidade urbana, por exemplo, quando será que se limita o uso do transporte individual e se acelera o transporte coletivo não poluente? Será que os pobres, que consomem menos, não têm o direito de acesso a uma vida melhor? Interrogações, sem resposta convincente, num mundo globalizado, que deixamos à consideração de quem nos lê. Tudo a propósito de uma Cimeira sobre o Clima de que, como se deduz, pouco há a esperar em resultados concretos.

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