Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2022
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Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Dois factos a favor do Norte

Pertenço ao Zé Povinho e levo 70 anos a dar voz, na imprensa, a essa classe telecomandada pelas muitas e diversas redes sociais, pelas televisões, imprensa escrita e cartazes renovados, por séquitos de tarefeiros fiéis ao poder.

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A necessidade de um aeroporto internacional, ao nível dos melhores do mundo, foi sendo reclamado pelo Estado Novo e pelos governantes democratas que se lhe seguiram.

Meio século depois, António Costa, Pedro Nuno Santos, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz estiveram reunidos para tentarem chegar a acordo sobre a região do país onde o famigerado Aeroporto será construído. Finalmente um primeiro passo positivo!
Pertenço, também, à geração do sacrifício máximo, aquela que foi à Guerra do Ultramar, em nome do serviço cívico que, uma certa classe escolhia, para sobrevivência vistosa, mas que exigia da turbamulta, os maiores sacrifícios da sociedade.

Também me envolvi nessa dramática sina, que foi à guerra dos profissionais que precisaram dos milicianos e da corajosa soldadesca popular, para garantir a sobrevivência vistosa daqueloutros. Os automóveis, por melhor que seja a marca, não dispensam os pneus de reserva. A partir do golpe de Estado do 25 de Abril, foram traídos, humilhados e, ainda hoje, quase escarnecidos.

No mesmo dia em que os quatro políticos acima referidos optaram por Santarém como zona provável para o novo aeroporto, apresentei na capital do norte o livro “Os Galgos do Niassa”, escrito pelo alferes miliciano José António Carvalho de Moura que, entre 1967 e 1969, prestou serviço militar obrigatório, em Moçambique, integrado na Cª 1798, do Bat. 1935, preparado nos «Fronteiros de Chaves». No 21 de Junho de 1969 comandava dois pelotões na zona de Mopeia, nas margens do Rio Zambeze. O batelão transbordava as margens e levava 150 militares, 30 viaturas de guerra e seus pertences. O peso excessivo afundou tudo e todos. Morreram 107 jovens, perdeu-se a carga e o transporte.

Carvalho de Moura, mero oficial miliciano, foi encarregado de elaborar o relatório, pelo simples facto de ser o comandante provisório dessa zona.

Dois factos importantes me ocorrem ao escrever esta narrativa. Têm meio século um e outro. Ambos de interesse nacional. Portugal não é só Lisboa e arredores. O Rio Tejo é uma divisória natural. Há que respeitá-la para o aeroporto.

Quanto ao livro os Galgos do Niassa: fazia falta dar a palavra ao alferes miliciano que lavrou o relatório do maior desastre militar que ocorreu em 13 anos de guerra no Ultramar. Ainda está vivo e lúcido. Nunca as televisões lhe deram voz. Fez-se tabu desta tragédia que não teve culpados. E em Mopeia existe um cemitério bem identificado com 80 cadáveres à espera de serem trasladados.

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