Domingo, 31 de Maio de 2026
Rodrigo Sá
Rodrigo Sá
Engenheiro

Duas ou três coisas…

1 - A anterior ministra das finanças do PSD, Maria Luís Albuquerque, afirmava há poucos meses que seria “matematicamente impossível” ao governo atingir um défice inferior a 3% em 2016.

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Afirmou-o com a convicção de quem acredita no que está a dizer. Hoje sabemos que se enganou redondamente. De facto, quer este indicador, quer o crescimento económico, quer a evolução do emprego, entre outros, demonstram que o modelo económico e social do atual governo é possível, eficaz e recomendável. Até Marcelo Rebelo de Sousa utilizou as palavras desta antiga responsável pelas finanças públicas e o seu falhanço nas previsões, para elogiar a ação governativa de António Costa. Mas recordar o que disse Maria Luís Albuquerque não pode ser apenas a afirmação do seu erro de análise. Voltar às suas palavras é perceber que o governo que integrou, liderado por Passos Coelho, acreditava realmente, quase como uma fé, nas políticas que foi implementando! Que as decisões que tomou na altura e que atingiram os mais frágeis, os pensionistas, os trabalhadores, não foram ditadas por nenhuma troika ou situação conjuntural. Foram, sim, fruto de uma linha de pensamento, de uma ideologia se quisermos, e corresponderam àquilo que eram e são as suas convicções. E acrescento: a incapacidade para até agora assumirem o seu erro e admitirem que havia caminhos alternativos à austeridade dirigida às pessoas, significa claramente que, se amanhã voltassem a assumir funções governativas, aplicariam exatamente a mesma receita ao governo do país. Das duas uma, ou o PSD se volta a reencontrar com a social democracia e se distancia destes protagonistas ou, pelo contrário, distanciar-se-á cada vez mais dos Portugueses.

2 – Trump já é Presidente dos EUA há quase três semanas. Gente mais otimista do que eu acreditou que ele não ganharia as eleições, mas ganhou. Depois foi dizendo que após o final da campanha eleitoral ele saberia estar à altura das responsabilidades, mas não aconteceu. E por fim acreditaram que após a tomada de posse passaria a saber estar, enquanto Presidente, só que a realidade mostra o contrário. Desde que chegou ao poder limitou-se a criar instabilidade com o México, o Irão, a China, mas também com a União Europeia ou a Austrália. Tão mau quanto isso, a criar instabilidade dentro do seu próprio país atacando adversários, o antigo Presidente, jornalistas e até tribunais. Pelo meio rasgou acordos comerciais e parcerias seculares. Porventura ainda será cedo para perguntar o que fez, por oposição ao tanto que já desfez. E alguns até se poderão interrogar o que temos nós a ver com isso! Mas temos. Muito! Uma pequena economia, como a nossa, está sempre muito vulnerável aos soluços dos gigantes mundiais, como os Estados Unidos ou a China. De cada vez que Trump se sai com mais um decreto mirabolante, o preço do petróleo abana, as exportações tremem, os juros sobem. No meio de toda esta instabilidade resta-me uma ténue esperança. Talvez o eleitorado de países como a França, em que o populismo irresponsável de direita começa a afirmar-se, possam repensar as suas opções, sob pena de gastarem muito dinheiro em muros, ao invés de investirem em pontes.

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