Tive oportunidade, no meu último texto neste jornal, de refletir sobre o percurso que levou ao PSD a escolher António Carvalho como seu candidato à Câmara Municipal de Vila Real.
Por limitação de espaço não referi algo importante: na altura o porta voz do PSD afirmou que a sua campanha eleitoral, desta vez, seria elevada, séria e abordaria os assuntos que interessam mesmo aos Vila-realenses. Ainda bem! Desde então António Carvalho tem feito declarações a vários órgãos de comunicação social local procurando dissipar a estranheza causada pela sua escolha e afirmando aquilo que o preocupa no nosso concelho. Ao fim e ao cabo é a sua obrigação, que apesar de ter descurado durante mais de 3 anos, assume agora como um desafio.
Um ponto chamou-me particular atenção: a afirmação de que, ao contrário do que tem sido afirmado pela autarquia e pela EMAR, a fatura da água não baixou em Vila Real. Baseado em quê? Naquela ferramenta multifunções chamada “achómetro”. O candidato acha que sim, e pronto! Mas seria verdade? Entraria a questão do preço da água nos, agora chamados, factos alternativos? Na verdade, há uma forma muito simples de esclarecer esta questão. Um exercício que cada um de nós pode fazer em sua casa: comparar faturas antigas e recentes! E, como é óbvio, escolher duas faturas em que o número de metros cúbicos de água consumidos seja igual. Só se poderão comparar 5 com 5, 10 com 10 e por aí adiante. Decidi então, eu próprio, comparar duas faturas de 9 metros cúbicos, uma de 2013 e outra de 2016. A de 2013 tem o valor de 29,98 euros e a de 2016 vale 27,39 euros. Baixou, portanto, 2,59 euros em 3 anos, para o mesmo consumo de 9 metros cúbicos. A autarquia e a EMAR dizem que baixou 8%. Pelas minhas contas até baixou mais do que isso, quase 9%. Entretanto, em 2017, deverá baixar mais 2%. E já que estava com o malfadado dossier das contas na mão, aproveitei para dar uma olhadela às faturas dos outros fornecedores de serviços. A eletricidade subiu e de que maneira. O gás também custa mais do que nos anos anteriores e até a televisão por cabo, só nos últimos dois anos, subiu quase 10 euros, pelo mesmo exato serviço. Tudo subiu, menos a água. Para mim a resposta está dada. É bom de ver quem diz a verdade e quem procura fazer passar os tais factos alternativos. Como escrevi atrás, qualquer um de nós pode fazer esta comparação, até António Carvalho. E, já agora, se quiser abordar o dossier da água e saneamento com propriedade, talvez possa visitar a EMAR e fazer algumas perguntas. Poderia descobrir, por exemplo, que a mudança de titular no contrato da água custava mais de 40 euros há 3 anos, mas que agora é gratuito. Ou aprender que em 2013 a ligação às redes de água e saneamento poderiam custar em conjunto cerca de 1000 euros e que agora também são gratuitas. Isto para não referir o novo saneamento básico que se está a construir um pouco por todo concelho, no valor de 20 milhões de euros.
Vamos todos acreditar que, perante a evidência do seu erro, António Carvalho se deixará de factos alternativos.





