Na sua origem estiveram três ou quatro pequenas fogueiras que se acenderam, sabe-se lá como, por volta das quatro da manhã. O vigia, que estava do lado de lá do rio, fazendo jus ao seu papel de vigilante, apercebera-se e logo comunicou. Mas ainda não se haviam desenvolvido as novas técnicas do ataque inicial dentro dos primeiros 15 minutos de atividade do fogo. E a hora, decerto bem calculada, também não teria permitido esse mesmo ataque.
As funções que então desempenhava aconselhavam a acompanhar os problemas e a tutela no Governo impusera não haver férias nos meses de verão. Ao final da tarde impunha-se uma visita ao local para um ponto da situação com o comandante dos Bombeiros que tinha a seu cargo a coordenação do combate. Não demorou um convite:
– Pode vir comigo ao àquele estradão?
– Claro, respondi.
Explicou melhor o que pretendia mostrar-me no trajeto:
– Vamos ver a evolução do incêndio. É importante ler o incêndio, fazer uma leitura para nos apercebermos da sua evolução. A explicação foi cabal. O fim de semana passado na Lousã com especialistas de temas ligados à floresta, ao combate a incêndios e à logística para situações que estes podem causar havia-se mostrado de grande interesse. A sua utilidade estava ali e em outras circunstâncias em que nos sentimos aptos a compreender melhor o que bombeiros e outros especialistas no diziam.
E a talho de foice:
– Se o Sr. Presidente da Câmara nos conseguisse uma máquina de rastos para amanhã, de manhã!…
A resposta à solicitação de que fui, simplesmente, porta-voz, foi positiva. No dia seguinte, os bombeiros puderam contar com a máquina de rastos que, dando razão à leitura feita no final do dia, se mostrou muito útil.
Recordo, ainda, um outro momento que vivenciei naquele fim de tarde. O sapador chileno, que viera a Portugal para partilhar saberes na leitura da evolução e no combate ao incêndio, fez uma pequena demonstração de como o incêndio progride escondido pelo coberto vegetal do solo. Com a sua pequena pá, fez um rego uns metros adiante do términus da área ardida e sugeriu que eu colocasse a mão no solo. Constatei que o calor do fogo progredia por baixo do chão, sem se ver. O risco de surgir uns metros à frente era real.
Afinal, havia tanto que aprender! Razão para o meu amigo professor da UTAD – temos que conhecer o fogo e saber interagir com ele.






