Segunda-feira, 4 de Março de 2024
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É preciso escutar

Chegou ao fim a 1ª etapa do Sínodo dos Bispos que se realizou em Roma sobre a sinodalidade.

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Em outubro de 2024, realizar-se-á a 2ª etapa. Como afirmou o frade dominicano, Timothy Radcliffe, este intervalo será “o tempo mais fértil do sínodo, o tempo da germinação, será como uma gravidez”. Até lá, pede-se “que os meses que nos separam da segunda sessão, em outubro de 2024, permitam a todos participar concretamente no dinamismo de comunhão missionária indicado pela palavra “sínodo”.

Da carta que foi dirigida ao Povo de Deus, fica o forte apelo a se continuar a dar tempo à escuta: “A Igreja precisa absolutamente de escutar todos, a começar pelos mais pobres”, escutar aqueles que não têm direito à palavra na sociedade ou que se sentem excluídos, mesmo da Igreja, escutar as pessoas que são vítimas do racismo em todas as suas formas, aqueles que foram vítimas de abusos cometidos por membros do corpo eclesial e de se empenhar concreta e estruturalmente para que isso não volte a acontecer, escutar os leigos, mulheres e homens, os catequistas, os jovens, os idosos, até as crianças, as famílias, os ministros ordenados, a vida consagrada, e também estar atenta a todos aqueles que não partilham a sua fé. É sem dúvida uma arte que está em crise, dar tempo aos outros e saber escutar, num tempo veloz que nos devora, onde cada vez estamos mais surdos para com os outros, em que temos pressa em impor os nossos pontos de vista e privilegiamos, acima de tudo, o nosso egoísmo e conforto. Há dioceses e paróquias que já criaram espaços e tempos para escutar as pessoas. Um bom exemplo a ser seguido.

Na sua intervenção na assembleia sinodal, o Papa Francisco reiterou as suas críticas ferozes ao clericalismo e carreirismo dentro da Igreja: “O povo de Deus, o santo povo fiel de Deus, segue em frente com paciência e humildade, suportando o desprezo, maus-tratos, marginalizações por parte do clericalismo institucionalizado. Com quanta naturalidade falamos de príncipes da Igreja ou de promoções episcopais, como subidas na carreira”. E alertou mais uma vez para a nefasta cultura alfandegária e mercantil que está instalada na Igreja: “É doloroso ver, nalguns cartórios paroquiais, a “lista de preços” dos serviços sacramentais, como num supermercado. A Igreja ou é povo fiel de Deus, em caminho, santo e pecador, ou acaba por tornar-se numa empresa de serviços diversos”. A Igreja não é um “supermercado da salvação”, sendo os sacerdotes “empregados de uma multinacional”.

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