A sua inclinação natural e o gosto pelo canto revelaram-na como uma intérprete de mérito, com provas dadas sobretudo no Coro Gulbenkian, formação prestigiada e aplaudida nas melhores salas do mundo. Também por reconhecimento dos vários maestros, que passaram pelo Coro e Orquestra da Gulbenkian, Elisabete Silveira era escolhida para integrar o Coro de Câmara, agrupamento mais seletivo e refinado.
Para Elisabete Silveira, a música foi sempre mais do que um ofício: foi um ato de fé, uma forma de estar na vida, um fascínio inebriante que marcou o seu modus vivendi. Só um verdadeiro artista sente o valor e a essência da poesia; só um verdadeiro cantor alcança o coração dos outros, dando voz às dores e às alegrias da humanidade.
Desde cedo, Elisabete se revelou artista multifacetada. O seu modo de cantar, em particular, despertou a atenção de muitos entendidos. Já em Lisboa, enquanto frequentava a Academia de Música de Santa Cecília – uma Escola muitíssimo exigente – foi convidada a integrar o célebre Coro Harmonia, dirigido magistralmente por Friedrich Wilhelm Werner…nele pontificavam nomes sonantes como Elsa Saque, Elizette Bayan, Isabel Barbosa, Teresa Almeida e outros…
Durante os anos 60, o Coro Harmonia apresentava-se frequentemente na televisão, com espetáculos de grande qualidade. Como só existia um canal televisivo, não era raro que, nas suas deslocações a Vila Real, Elisabete fosse reconhecida e cumprimentada com carinho.
Mateus e a cidade de Vila Real, devem recordar esta ilustre personalidade como alguém que devotou a vida ao canto, e às belezas sublimes da natureza, fazendo da música a sua força e a sua paixão maior.
Ainda hoje, Elisabete Silveira conserva o mesmo entusiasmo em ouvir e deixar-se encantar pelas obras que elevam a música à condição de arte suprema.
Desde muito jovem, o seu nome já soava com respeito e admiração. Quem dela falava, fazia-o com um brilho nos olhos e uma pausa carregada de significado.
Nascida em Mateus, Elisabete começou a destacar-se nas Comédias ensaiadas por Mariazinha Bessa Monteiro. A sua graça em palco, a sua beleza feminina, e a voz luminosa valeram-lhe elogios e galanteios.
Em Lisboa, esse talento encontrou o ambiente certo para florescer, abrindo-lhe as portas para as luzes da ribalta. Hoje, com o mesmo pulsar, Natureza e Arte continuam de mãos dadas nas suas preferências, nos seus mais recolhidos e nobres sentimentos — barómetro fiel da sua vitalidade e da sua paixão pela vida.
Tê-la como irmã, é uma honra, um orgulho.



