Os atores políticos tudo fazem para ter protagonismo e serem o centro das atenções, e aproveitam o dia para dar ralhetes e recados uns aos outros, quando o dia podia ser aproveitado para dar esperança às pessoas, motivar o país para um verdadeiro desígnio nacional, algo que o país não tem há muito tempo, e até para se apresentarem aos cidadãos formas de aprofundar a liberdade e a democracia, valores eternamente apaixonantes, mas sempre a serem conquistados e aprendidos. Depois de tanta encenação, não me ficou na cabeça uma única frase marcante e um apelo estimulante. Parece-me que estamos a passar por tempos de grande banalização e superficialidade reflexiva e política.
Falta tanto do 25 de abril. A começar pela liberdade, vale a pena estar atento às novas formas de mordaça e condicionamento que por aí andam, ainda ouço pessoas a dizerem-me que se calam muitas vezes para não terem consequências na sua vida ou da família, ou que se dizem tudo o que pensam estragam a vida. Isto é inadmissível. Nos últimos anos temos crescido muito pouco e temos ainda um grande número de pobres, que não se coaduna com um país desenvolvido e moderno, ganham-se fracos salários, já fomos intervencionados várias vezes. Os partidos políticos parecem, muitas vezes, mais preocupados com a sua vida e dos seus militantes do que com o país. O ensino tem passado por grande ebulição e vive tempos conturbados. A segurança social está imersa num mar de insegurança e de dúvidas. Temos níveis de corrupção inaceitáveis, temos o discurso político dominado pela propaganda, pela demagogia e pelo populismo, e até já pela mentira descarada. Tardamos em fazer reformas importantes e profundas, que de que ninguém quer pagar o preço, mas que são decisivas se queremos renovar e desenvolver o país, somos dos países mais velhos do mundo e com mais baixa natalidade, comprometendo-se seriamente vários setores da nossa economia e o futuro do país, temos um interior despovoado e moribundo, ao invés de um litoral e grandes centros apinhados de gente e desenvolvidos, temos uma carga de impostos habilidosa e opressiva, um Serviço Nacional de saúde, que, apesar de ser uma grande conquista, hoje obriga idosos a levantarem-se às quatro da manhã para terem uma consulta. Mais ação e menos foguetes.




