Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Era assim até 1987

A entrada de Portugal na CEE - Comunidade Económica Europeia foi, a meu ver, uma decisão acertada para Portugal.

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Não tenho dúvida de que nos trouxe um conjunto de oportunidades que nos permitiram entrar no comboio do desenvolvimento em determinadas áreas: as infraestruturas viárias, a construção de edifícios para instalar serviços públicos, como sejam, tribunais, escolas secundárias, instalações universitárias, hospitais, etc.

No início da minha atividade como professor universitário, iniciada no Instituto Politécnico de Vila Real, em1981, depois no Instituto Universitário e desde 1986, na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, ano da sua fundação pude ver e “sentir” as mudanças estruturais que Portugal registou.

Assisti à inauguração do Edifício de Geociências, com a presença do Primeiro ministro da Holanda, Ruud Lubbers, que financiou a construção desse edifício.

Sem a CEE não teríamos tantas e boas autoestradas que nos permitem vencer distâncias mais depressa e com mais segurança. Quando entrei para o ensino superior, morava no Porto com a minha família. Fiz nas carreiras do Cabanelas e (ou) outras, durante seis anos o trajeto entre Porto e Vila Real, nos dois sentidos. Durante algum tempo atravessava a Serra do Marão pela estrada nacional N15, considerada, ainda hoje, como então, uma espécie de estrada mitológica. As suas curvas muito apertadas, exigiam dos condutores uma atenção permanente pois de outro modo, a ocorrência de despistes era muito grande.

A juntar a tudo isto, como o tráfego era muito, a deterioração da estrada, como muitas outras em Portugal, era grande. A necessidade de evitar os buracos obrigava a travagens fortes que por vezes davam origem a acidentes e a furos nos pneus com todas as consequências negativas que isso originava.

A juntar a tudo isto, eu por lá passava quando me deslocava de Mogadouro para o Porto e regressava, tinha que passar por essa estrada, também conhecida como “as voltinhas do Marão”. Normalmente ocupávamos todo o dia em cada uma dessas viagens, porque, alem da velocidade média que conseguia fazer, não mais de 60 km por hora, era necessário descansar pois os filhos, ainda crianças, tinham que parar várias vezes como bem sabem os que lerem este texto. Acresce que quando saíamos do Porto a caminho da aldeia, a gozar férias, quando passávamos por Valongo, já o filho mais novo perguntava: quando chegamos a Brunhoso? Escusado será dizer que essa pergunta era feita muitas vezes durante o percurso.

Perante isto, quem este texto ler, pode dizer: que grande drama! Não, todas estas turbulências da viagem, eram atenuadas pela beleza das lindas paisagens que a nossa vista alcançava.

O trajeto entre Porto e Vila Real e entre Vila Real e Brunhoso, proporcionava desfrutarmos de paisagens naturais que nos deixam inebriados.

Tive a oportunidade de acompanhar a construção do IP 4, Itinerário Principal nº 4. No final de 1987 foi concluído o troço entre o Alto de Espinho e a Campeã. Que alívio sentimos os que tínhamos que fazer esse trajeto, por motivos profissionais.

Hoje, felizmente, temos uma Autoestrada desde o Porto até Quintanilha, fronteira com a Espanha, que nos permite circular com mais segurança e mais depressa.

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