Domingo, 26 de Setembro de 2021
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Figuras de Vila Real

Ao longo da sua existência, a nossa terra sempre teve vultos que se alcandoraram a lugares e funções do maior prestígio.

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Estas personalidades devem servir de exemplo e orgulho a todos os que tiveram o privilégio de nascer em Vila Real.

Assim, nesta linha de raciocínio, cumpre-me o dever de memória, recordar o Tenente-General piloto aviador Manuel Pinto Machado de Barros, que nasceu em Vila Real a 28 de março de 1909, quando reinava em Portugal Manuel II.

Naquela época os tempos eram difíceis e muito conturbados. “Para lá do Marão”, no entanto, cultivavam-se as virtudes e os valores, rigor e dignidade, que eram a riqueza dos homens. O cidadão Manuel Pinto Machado de Barros entrou para a Escola do Exército (hoje Academia Militar) para o curso de Artilharia. Acabado este curso, concorreu à Aeronáutica Militar e a 7 de setembro de 1936 obteve o brevet de piloto aviador. Depois, em 1937, já com o posto de Tenente, fez parte da missão portuguesa a Inglaterra para apreciar as qualidades dos aviões de caça “Gladiator” biplanos de duas asas de um só lugar, os quais foram comprados por Portugal.

Na Inglaterra, onde permaneceu durante três meses, foi escolhido para frequentar a “Flying Train School” e em seguida a Escola de Instrutores de Pilotagem.

Ainda, e dentro deste contexto, pôde então, dentro da estrutura organizativa da RAF (Royal Air Force), aprender tudo o que era necessário a uma “Instituição Militar de Aviação”, já naquele tempo muito respeitada. No meio disto tudo, contribuiu deste modo para o desenvolvimento da então “Aeronáutica Militar”, mais tarde Força Aérea.

Assim, logo a seguir, em julho de 1941, com a 2ª Guerra Mundial, em pleno cais da Rocha de Conde de Óbidos, foi abordado por um agente da PIDE, porque ostentava trajado civilmente na lapela do casaco o emblema da RAF e ainda teve alguns problemas por causa disso.

O seu irmão, de nome Salomão, era um senhor exemplar que toda a gente em Vila Real admirava. Chegou a ser diretor da Caixa Geral de Depósitos que naquele tempo funcionava junto aos bombeiros da Cruz Verde, mesmo ao lado.

Foi sempre um antissalazarista e também, talvez, por isso, o General Machado de Barros sofreu alguns dissabores.

Mas era um militar, português de lei, não sendo político, era um vila-realense autêntico.

Numa próxima oportunidade irei tecer mais considerações sobre esta figura de Vila Real, à qual ainda não lhe foram prestadas quaisquer homenagens na sua terra de que ele tanto gostava. ■

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