Quarta-feira, 16 de Junho de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Fixar população em Chaves… É possível!

Aproveitar a nossa situação geográfica, privilegiada tendo em vista possibilidades de promoção de relações transfronteiriças, e cientes da alta potencialidade a nível turístico da região, o caminho para atingir uma velocidade próxima da dos grandes centros irá surgir.

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O interior não precisa de nenhuma discriminação positiva, necessita sim que lhe seja feita justiça e que se assuma o interior como uma área do país a desenvolver, mas para isso também é necessário que os nossos autarcas assumam algumas bandeiras junto do poder central.

Se queremos igualdade, não podemos simplesmente obrigar regiões esquecidas nos últimos 50 anos a competir com as mesmas armas de outras regiões desenvolvidas também às custas dos impostos da gente do interior.
Ajustem medidas à realidade dos territórios. Chaves necessita de empresas, não de premiar o emprego.

Chaves não necessita de pagar as autoestradas mais caras do país e não necessita de financiar os descontos nos passes dos transportes públicos da capital.

No entanto, necessita que reduzam o número mínimo de alunos por turma nas regiões do interior para que menos escolas fechem as suas portas e para que os professores que querem residir no interior não tenham que deixar cônjuges e filhos durante a semana.

Necessita que não haja alunos, que para fazer o ensino obrigatório, tenham que se levantar às 6h da manhã e andar cerca de uma hora a pé com temperaturas negativas para apanhar um autocarro que o traz até à cidade e que ao fim do dia, pela noite escura tenham que fazer o percurso inverso.

Necessita de uma minimização dos custos da energia de aquecimento através de uma diminuição na taxação, pois na nossa região, o inverno é muito mais rigoroso.

Para estas medidas, é necessário autarcas com poder de diálogo e que sejam verdadeiramente agregadores e respeitados por quem governa o país.

No entanto, existem formas de fixar também aqui população que não dependem do poder central, mas sim das prioridades da autarquia.

É necessário que se isente o IMI de quem construir ou comprar a sua primeira casa no interior. Não adianta baixar o IMI para as taxas mínimas, mas ao mesmo tempo introduzir a derrama como aconteceu em Chaves, neste mandato. É necessário que se devolva o custo com propinas a quem teve que sair da sua terra natal para estudar por não ter alternativa na região e no final do curso opte por se fixar novamente em Chaves.

Será este o caminho inicial que fará Chaves parar de perder população e se tornar mais apetecível. Esta será a forma de o poder central perceber que num país com 300km de largura, não pode existir litoral e interior e que o desenvolvimento de uma cidade como a nossa, não se faz de obras ou promessas megalómanas mas sim de um desenvolvimento coeso.

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