Tratava-se de uma candidatura à entrada para o seminário. O processo era organizado pelo pároco da freguesia de onde o habilitando era natural e morador. Eram escolhidas cerca de 15 testemunhas de homens idóneos e de bom comportamento. Geralmente eram das terras onde os familiares nasceram e viveram.
Cada um tinha que responder às seguintes perguntas: sabe para que é chamado e que deve dizer a verdade; conhece o habilitando, de quem é filho, de onde é natural e morador e onde foi batizado; conhece os pais do habilitando, de onde são naturais e moradores e onde foram batizados; conhece os avós do habilitando, de onde são naturais e moradores e onde foram batizados; o habilitando é filho e neto dos pais e avós nomeados; sabe se tem alguma razão particular de ódio, amizade ou parentesco com as referidas pessoas; o habilitando é ou foi herege, ou apóstata da nossa Santa Fé Católica; os seus pais e avó paterno cometeram crime de Lesa Majestade Divina, ou Humana, pelo qual fossem sentenciados ou condenados com as penas impostas nas leis do Reino; incorreu em alguma pena vil ou infâmia pública de facto ou de direito.
O processo de Narciso José Lopes Carneiro, que foi pároco em Penas Roias e em Castelo Branco, ambas freguesias de Mogadouro, nascido no Azinhoso no dia 27 de agosto de 1804 e batizado no dia 4 de setembro, teve como Juiz Comissário da diligência, o reitor do Azinhoso, padre António Caldeira Telo.
Outro processo foi o de António Ferreira Barato, nascido no Azinhoso no dia 6 de agosto de 1768 e batizado no dia 14. Foi juiz comissário o reverendo doutor em Cânones, Manuel Vieira de Carvalho, vigário da vila do Azinhoso.
Foi padre e reitor de Mascarenhas, Mirandela e pároco em Penas Roias, Mogadouro. Neste processo perguntaram às testemunhas, além das questões referidas no anterior, se tinha algum parentesco como habilitando. Por vezes, e isso aconteceu neste, eram referidos familiares conhecidos que serviam para garantir que o habilitando tinha condições para ingressar no seminário. Neste caso está escrito na diligência o seguinte: é sobrinho materno do Frey João Manuel dos Santos, prior da Collegiada de São Mamede de Mogadouro, comissário do Santo Ofício, do TSO – Tribunal do Santo Ofício de Coimbra e do seu irmão o padre Manuel António da Cruz. Também é atestado que é sobrinho paterno dos padres Manuel Ferreira Barato e Francisco Ferreira Barato, todos nascidos no Azinhoso.
Após a aprovação pelo bispo da diocese o habilitando ingressava no seminário. Após a conclusão dos estudos necessários para ser ordenado padre, tinha que fazer a chamada Declaração de Património. Com esta declaração o recém-formado, tinha que provar que tinha bens suficientes para viver autonomamente.
Todos os nomes que figuram neste texto fazem parte da genealogia da minha família.





