Quarta-feira, 22 de Julho de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Genealogia

No texto de hoje vou falar sobre os Processos de Génere, também chamados de Declarações de Génere.

Tratava-se de uma candidatura à entrada para o seminário. O processo era organizado pelo pároco da freguesia de onde o habilitando era natural e morador. Eram escolhidas cerca de 15 testemunhas de homens idóneos e de bom comportamento. Geralmente eram das terras onde os familiares nasceram e viveram.

Cada um tinha que responder às seguintes perguntas: sabe para que é chamado e que deve dizer a verdade; conhece o habilitando, de quem é filho, de onde é natural e morador e onde foi batizado; conhece os pais do habilitando, de onde são naturais e moradores e onde foram batizados; conhece os avós do habilitando, de onde são naturais e moradores e onde foram batizados; o habilitando é filho e neto dos pais e avós nomeados; sabe se tem alguma razão particular de ódio, amizade ou parentesco com as referidas pessoas; o habilitando é ou foi herege, ou apóstata da nossa Santa Fé Católica; os seus pais e avó paterno cometeram crime de Lesa Majestade Divina, ou Humana, pelo qual fossem sentenciados ou condenados com as penas impostas nas leis do Reino; incorreu em alguma pena vil ou infâmia pública de facto ou de direito.

O processo de Narciso José Lopes Carneiro, que foi pároco em Penas Roias e em Castelo Branco, ambas freguesias de Mogadouro, nascido no Azinhoso no dia 27 de agosto de 1804 e batizado no dia 4 de setembro, teve como Juiz Comissário da diligência, o reitor do Azinhoso, padre António Caldeira Telo.

Outro processo foi o de António Ferreira Barato, nascido no Azinhoso no dia 6 de agosto de 1768 e batizado no dia 14. Foi juiz comissário o reverendo doutor em Cânones, Manuel Vieira de Carvalho, vigário da vila do Azinhoso.

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Foi padre e reitor de Mascarenhas, Mirandela e pároco em Penas Roias, Mogadouro. Neste processo perguntaram às testemunhas, além das questões referidas no anterior, se tinha algum parentesco como habilitando. Por vezes, e isso aconteceu neste, eram referidos familiares conhecidos que serviam para garantir que o habilitando tinha condições para ingressar no seminário. Neste caso está escrito na diligência o seguinte: é sobrinho materno do Frey João Manuel dos Santos, prior da Collegiada de São Mamede de Mogadouro, comissário do Santo Ofício, do TSO – Tribunal do Santo Ofício de Coimbra e do seu irmão o padre Manuel António da Cruz. Também é atestado que é sobrinho paterno dos padres Manuel Ferreira Barato e Francisco Ferreira Barato, todos nascidos no Azinhoso.

Após a aprovação pelo bispo da diocese o habilitando ingressava no seminário. Após a conclusão dos estudos necessários para ser ordenado padre, tinha que fazer a chamada Declaração de Património. Com esta declaração o recém-formado, tinha que provar que tinha bens suficientes para viver autonomamente.

Todos os nomes que figuram neste texto fazem parte da genealogia da minha família.

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