Sábado, 2 de Maio de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Manuel José Fernandes Cicouro (2)

Foi Cónego da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, Doutor em Cânones e Lente da Universidade de Coimbra.

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Foi também Comendador da Ordem Militar de S. Bento de Avis, em 17 de junho de 1854, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Chantre da Sé Primacial de Lisboa, em 1852 e Provisor e Vigário Geral do patriarcado.

Foi Desembargador da Curia Patriarcal de Lisboa.

Além da sua grande atividade, como professor catedrático, como sacerdote com diversas dignidades e como deputado, foi também jornalista. Fundou e redigiu o jornal Portugal Velho. O Abade de Baçal não ficou indiferente ao sucesso deste seu conterrâneo e dedicou-lhe quatro páginas do Tomo VII, das suas Memórias.

Em 1858 pertencia à repartição da fazenda de Lisboa e nessa qualidade participou no inventário de extinção do convento de Nossa Senhora da Piedade da Esperança de Lisboa, por morte da última religiosa. Os Conventos de religiosas extinguiam-se só quando falecia a última freira.

Era grande anotador e coletor da história e do direito canónico tendo deixado manuscritos importantes.

O seu retrato encontra-se na História de Portugal, popular e ilustrada, de Pinheiro Chagas, Vol. X, página 121.

Faleceu em Lisboa, nos Paços de São Vicente, freguesia de São Vicente de Fora, no dia 14 de dezembro de 1879. Fez testamento.

A sua intervenção era muitas vezes solicitada, como o foi aquando da escolha do Bispo do Funchal, em 1849. O Cardeal de Lisboa, sabendo que o Cónego Cicouro era um ilustre brigantino, considerou que seria a pessoa mais indicada para o ajudar a escolher o Bispo do Funchal.

Entre os possíveis candidatos estava o Padre Manuel Martins Manso, de Bemposta e que ocupava o lugar de Chantre e Vigário Capitular da Sé de Bragança.

Era uma situação melindrosa, pois sendo isso da responsabilidade do governo, tinha que ser alguém de comportamento irrepreensível. Dado a imagem extremamente positiva de que gozava o Cónego Cicouro, o Cardeal pediu-lhe que o ajudasse na indicação do futuro bispo. O cardeal requeria alguém “idóneo e digno”, mas como se definiam tais apelativos? Também tinha que ser alguém que não desagradasse ao governo de então.

No ano seguinte, no documento nº 1525, página 374, de 5 de abril de 1849 – depois da guerra civil da Patuleia e no fim do cabralismo, o Cónego Cicouro “informava ser o Chantre e Vigário Capitular da Sé de Bragança, Manuel Martins Manso, uma pessoa de comportamento regular e irrepreensível, não se envolvendo com partidos políticos nem com lutas pelo poder, o mais indicado para esse cargo”.

Foi assim que tivemos um bispo, nascido em Bemposta, Mogadouro. Após alguns anos no Funchal, foi nomeado para Bispo da Guarda.

Nos apontamentos biográficos de Júlio Castilho, o Cónego Cicouro concluiu que tendo caducado o direito do senhor D. Pedro, na Coroa do Reino de Portugal, deve suceder o senhor Infante D. Miguel.

Referências: Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses; Apontamentos biográficos feitos por Júlio de Castilho, publicados em 1910.

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