Domingo, 3 de Julho de 2022
Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Canto na Liturgia

A finalidade dos cânticos na liturgia da Igreja é a maior glória de Deus, o louvor a Deus e a santificação dos fiéis

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Os cânticos têm por fim ajudar a viver o mistério que se celebra, com a maior arte e beleza possível, e não meramente entreter ou distrair os fiéis para que tenham momentos agradáveis, com muita emoção e sentimentalismo, apesar da emoção e do sentimento também fazerem parte da liturgia. E qual é o mistério que se celebra?

A ação salvífica de Deus no meio do seu povo, a presença da Palavra de Deus no meio de nós, a Morte e a Ressurreição de Jesus, a presença de Jesus ressuscitado no meio de nós, o fortalecimento do amor e da comunhão dos fiéis com Deus e dos fiéis entre si.

Os cânticos na liturgia não nos devem distrair disto, mas ajudá-lo a viver e a aprofundar. A música e o canto devem contribuir para a oração pessoal e comunitária, levando todos a aderir mais a Jesus Cristo e a interiorizar e a praticar a sua palavra. A liturgia não é um simples convívio entre cristãos. 

Contudo, a liturgia não tem de ser monolítica, rígida e uniformista. Podem-se conjugar na liturgia vários estilos musicais, dar espaço às várias sensibilidades, adaptar o canto às exigências da assembleia, crianças, jovens, pessoas mais velhas, e respeitar as formas de cantar e sonoridades que estão presentes nas diversas culturas.

A liturgia não deve esmagar a riqueza humana. Mas também é importante que se tenha noção dos limites e daquilo que a pode descaracterizar e adulterar. 

Vem isto a propósito, por exemplo, de músicas que se andam para aí a cantar em casamentos e batizados, e até em festas paroquiais, que são impróprias para a liturgia.

Como já muitas dioceses o deram a entender, vai ter de se caminhar para a creditação dos grupos musicais e seus reportórios, para poderem atuar nestas celebrações cristãs.

É inaceitável que se ande para aí a intoxicar e a banalizar a liturgia com adaptações da música pop ou ligeira, a cantar músicas com letras sem conteúdo cristão, sem qualquer ligação a Deus e a Cristo, quando a Igreja já tem excelentes compositores e cânticos belos para todas as celebrações da liturgia. 

Por outro lado, o canto deve estar presente na liturgia com qualidade, beleza e encanto. Mas acho que se está a dar um excessivo protagonismo aos grupos corais, que estão a monopolizar o canto na liturgia e a emudecer as assembleias.

A liturgia não é palco para atuações e a função do grupo coral é ajudar o povo a celebrar e a cantar a sua fé.

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