Quarta-feira, 18 de Maio de 2022
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Centro da Fé Cristã é Cristo

Por todas as paróquias de Portugal, estendeu-se a devoção a Nossa Senhora de Fátima. Pelo mês de maio, mês de Maria, e pelas celebrações durante todo o mês, tornou-se a maior devoção dos católicos portugueses.

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Não há festa ou procissão de Nossa Senhora de Fátima que não tenha sempre uma grande participação. Nossa Senhora de Fátima veio enriquecer a dimensão mariana que todo o cristão católico deve ter. 

Como pároco, fico sensibilizado e motivado com estas manifestações de fé do povo de Deus. Mas ao mesmo tempo, também fico intrigado. Vejo muitos cristãos católicos a realizarem peregrinações, a participarem e a organizarem procissões e festas em honra de Nossa Senhora de Fátima que raramente aparecem na Missa dominical e participam na vida da comunidade cristã a que pertencem, para não dizer que andam completamente alheados da vida da Igreja. É uma vivência da fé cristã profundamente errada. Por outro lado, não percebo porque é que Fátima se tornou um lugar de cumprimento de promessas e uma sede de solicitação de milagres, quando Fátima vale, sobretudo, pela sua mensagem de esperança, de misericórdia e de paz, enraizada no Evangelho. Nossa Senhora não é uma diretora de uma agência de milagres. Não quero desmoralizar os devotos e peregrinos do Santuário de Fátima, onde também vou com emoção e fé, mas só lhes recordo que a grande novidade de Fátima é a mensagem e não os milagres. Ao mesmo tempo, se um cristão sem a devoção a Maria é um cristão incompleto, pior ainda é um cristão sem a sua dimensão cristológica e eclesial, ou seja, sem a relação com Jesus Cristo, com a sua comunidade e com a Igreja. Será um cristão profundamente imperfeito. O Salvador, Aquele que nos dá a vida de Deus, a vida plena, a comunhão com Deus, a vida livre e realizada, é Jesus Cristo e não Maria, que foi uma mulher simples, mãe de Jesus. Maria não aponta para si mesma, mas para Jesus. Não podemos ficar só em Maria. Toda a devoção a Nossa Senhora que não nos faça caminhar para Jesus e para a Igreja é uma devoção errada e distorcida. Seremos cristãos a viver na menoridade cristã. 

É preciso cristianizar a devoção a Nossa Senhora de Fátima. Uma devoção a Nossa Senhora sem ligação a Jesus Cristo, ao Domingo e à comunidade é uma devoção incorreta, desadequada e profundamente deformada. Fátima tem sentido se é para nos ajudar a sermos melhores discípulos de Jesus, participativos na vida e na missão da Igreja, comprometidos com o Evangelho e o Reino de Deus.

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