Sábado, 2 de Maio de 2026

O papel do Compliance na era da Inteligência Artificial

Em tempos de transformação digital e enquanto assistimos às tarefas burocráticas a serem pontualmente transformadas em automatizadas, verificamos sintomaticamente uma crescente tendência à desumanização dos processos, isto quando a ética e transparência são cruciais para eficiência num mercado cada vez mais digital.

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O mais relevante em Portugal é a mudança de paradigma. Sendo que durante as últimas décadas vivemos com um paradigma de compliance (em matéria de concorrência) muito claro, onde as empresas sabiam que podiam ser condenadas por práticas proibidas referentes a condutas passadas, incidindo tipicamente sobre vulgares acordos para fixação de preços ou repartição e mercados.

No entanto, este novo paradigma revela-se mais complexo, porque pretende antecipar possíveis práticas proibidas. Já não se trata apenas de sancionar o passado, mas antecipar uma conduta que ainda não ocorreu. Isto é já não se trata apenas de procurar o acordo para fixar preços, mas colocar a informação no centro do enforcement”.

Quem, conseguir entender as implicações éticas dessa tecnologia, pode, desde já antecipando riscos significativos, convidando os seus profissionais de Compliance, a explorar a Inteligência Artificial, assegurando a adoção de uma postura ética e responsável neste ambiente cada vez mais digitalizado.

No início do ano, a Accenture divulgou o relatório ‘Technology Vision 2025’, o qual explora como a Inteligência Artificial (IA) está a impulsionar uma nova era de autonomia e digitalização nas organizações. O estudo destaca que a confiança no desempenho da IA será um fator crucial para as organizações alcançarem o seu pleno potencial.

Acrescentando que, de acordo com o relatório, “69% dos executivos reconhecem que a rápida adoção da IA nas empresas e na sociedade exige uma transformação urgente nos sistemas e processos tecnológicos”.

Posto isto, dúvidas não restam que agora e no futuro os profissionais de Compliance vão ter um papel ainda mais relevante nesse cenário, porque juntamente com a IA, vão realizar uma função bipartida, isto é, vão focar-se em decisões estratégicas e interpretação de dados, enquanto a Inteligência Artificial irá automatizar as tarefas operacionais, potencializando as capacidades e reforçando a sua importância nas decisões críticas.

A colaboração entre IA e profissionais de Compliance será fundamental para transformar esse cenário, permitindo que as empresas não apenas se adaptem às novas exigências, mas também se destaquem num mercado cada vez mais competitivo, inovador e digital.
Vivemos claramente tempos de mudança, e a tendência indica um futuro onde a tecnologia e a análise de dados serão fundamentais para a eficiência e eficácia dos programas de Compliance e Gestão de Risco, enquanto a colaboração e a capacitação interna promoverão uma gestão de riscos mais proativa e integrada.

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