Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
Paulo Reis Mourão
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Património e Desenvolvimento Económico

A relação entre o padrão de Desenvolvimento Económico e o cuidado com o Património por parte da comunidade é uma relação que vai tendo cada vez mais atenção nas análises académicas.

Como vários autores têm demonstrado, mais desenvolvimento leva a que a comunidade seja inovadora na valorização dos ativos que detém, mas também na identificação de novos ativos. Comunidades com mais desenvolvimento encaram ruínas históricas como fonte de conhecimento, mas também como elemento de comunhão com as comunidades passadas, por exemplo. A ruína deixa de ser ruína e passa a ser património.

Não é, no entanto, de estranhar que os ‘lugares centrais’ da comunidade sejam aqueles que têm uma maior concentração do património inventariado. Lugares centrais como sedes administrativas são locais com património construído – nomeadamente edifícios – que cimentam também essa capitalidade simbólica, acumulando património ao longo do período em que têm sido lugares centrais. Ainda assim, comunidades associadas a maior padrão de desenvolvimento económico são comunidades que mostram maior capacidade de identificar património e de valorizar o mesmo em espaços alternativos para lá dos lugares centrais.

Neste conjunto de processos, alguma literatura tem mostrado que a presença de técnicos associados a unidades descentralizadas de determinados Ministérios aumenta a probabilidade de haver uma identificação pública dos ativos da comunidade. Por exemplo, delegações descentralizadas dos Ministérios do Ambiente ou da Agricultura levam a que os locais envolventes tenham um maior número de Árvores de Interesse Público inventariadas, assim como delegações dos Ministérios do Turismo ou da Cultura estão associadas a um maior número de pontos de interesse turístico na área envolvente. Logo, descentralizar ajuda a inventariar e a lugares centrais.

Dentro do papel da promoção pública, não podemos esquecer a dinâmica deixada por programas específicos ou de incidência territorial. Nomeadamente, programas transfronteiriços vocacionados para o património têm sido uma fonte relevante de preservação e valorização dos objetos patrimoniais, não só na Europa como noutros continentes.

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Finalmente, há ainda literatura que comprova que existem em determinados locais a influência de grupos e associações de ação regional que ajudam significativamente na preservação do património existente – seja de base material ou imaterial – seja na identificação de novos objetos patrimoniais.

Como se depreende, a relação entre o Desenvolvimento Económico e o Património das comunidades é algo complexo e que ajuda a explicar o porquê de determinadas comunidades terem uma relação mais conseguida com o Património identificado e com o Património preservado. Como Xenofonte referia – quanto mais antigo o tesouro de uma comunidade, maior o seu padrão de civilização. Que hoje em dia significa – maior o padrão de desenvolvimento.

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