Terça-feira, 27 de Julho de 2021
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Quem sorri morre mais devagar

Os anos 40 e o início dos anos 50 foram dominados pelos efeitos devastadores da 2ª Guerra Mundial devido à política expansionista do Führer Adolph Hitler, que, para a conseguir, mandou matar milhares de pessoas.

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Em 1942, os meus avós paternos viviam no Pioledo, ao lado do Barracão, que era um simples restaurante, junto à antiga Feira do Gado, hoje Escola de São Pedro.

O meu avô, João Guilhermino Rodrigues Lisboa, gostava muito do Teatro Circo, que se situava no prédio em frente à porta principal de entrada do mercado municipal, que na altura do Carnaval animava a cidade com os bailes do Carolina. Estes bailes eram abrilhantados pela Banda de Mateus e, segundo as crónicas, comiam dois ou três cabritos pela noite dentro, só parando para comerem por turnos.

Voltando ao meu avô paterno, sempre que o ia visitar, costumava cantar a canção, já na altura muito conhecida que transcrevo:

Ó Vila Real Alegre
Província de Trás-os-Montes
Nos dias em que te não vejo
Meus olhos são duas fontes”

Mais tarde, um tio meu, de nome Domingos, que residia perto do Regimento de Infantaria 13, num encontro ocasional, começou a cantar a mesma canção acima referida, tudo muito certinho, sem perdas de voz e com muito entusiamo. O tio Domingos nunca desistiu de ser jovem. Olhava como uma criança, ria-se montes de vezes e, irradiava felicidade permanente.

A vida difícil de então, levou-a com esperança, alegria e paz. Sem fazer mal nenhum a ninguém, o tio Domingos viveu mais de 100 anos. Nunca foi preciso perguntar-lhe o segredo da sua longevidade, ele estava sempre com o seu sorriso, na sua maneira de encarar a vida. Ajudou quem precisava e assim continuou até à eternidade, mantendo o ar da simpatia que o caraterizava, ficando as saudades pela mensagem que deixou aos que teve de deixar.

Paz à sua alma, pois temos a certeza mantém o sorriso da longevidade eterna.

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