Domingo, 27 de Novembro de 2022
Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Recordando o saudoso engenheiro Vaz Osório

Há personalidades que dedicaram parte da sua vida ao serviço da causa pública sem, contudo, terem sido reconhecidas, alguma vez, por isso.

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Um dos casos paradigmáticos, que se enquadra neste universo, é o do saudoso Engº. Vaz Osório. Personalidade sobejamente conhecida da sociedade vila-realense, com provas dadas em vários domínios da sua atividade profissional, nunca foi alvo de qualquer homenagem por parte dos poderes públicos, pese embora o facto de ter prestado serviços de alta relevância cultural, social e desportiva nos meios académicos e desportivos da nossa Bila. 

Professor efetivo da antiga Escola Industrial e Comercial de Vila Real (EICVR), exercendo, cumulativamente, as funções de subdiretor dos cursos industriais, foi nessa dupla qualidade que o conheci, nos longínquos anos da década de sessenta do século passado. Tendo sido, aliás, seu aluno de uma disciplina que se denominava, naquela altura, Orçamentos e Contas de Obras. Mais tarde, no decorrer dos anos letivos de 1968/69 e 69/70, partilhei com ele funções docentes na velhinha Escola Industrial e Comercial, circunstância que me permitiu confirmar a opinião que já tinha das suas qualidades de ser humano excecional. Perspicaz, de espírito aberto e bonomia, dotado de um grande sentido de humor, constituía também uma espécie de porto de abrigo para muitos daqueles que, vítimas do feitio irascível e autoritário do então diretor da EICVR, encontravam nele o lenitivo necessário para ultrapassar as ondas de choque provocadas pelas atitudes extemporâneas e, às vezes, desabridas, do responsável máximo pelos destinos daquele estabelecimento de ensino.

Durante anos, paralelamente às funções docentes desempenhadas na EICVR, preparou, com êxito, dezenas de alunas do Colégio Moderno de S. José, candidatas ao exame de admissão à antiga Escola do Magistério Primário, que desejavam ser professoras primárias, tendo muitas delas exercido essa nobre e bela missão com brio e profissionalismo. Outra faceta desconhecida de muita gente, mas, socialmente, não menos importante foi o facto de ter exercido o cargo de delegado distrital da Direção-Geral dos Desportos, da capital transmontana, por largo período de tempo, com mérito e probidade.

Por tudo isto, entendo que devo aqui recordar a memória deste extraordinário ser humano, não só pelas suas qualidades intrínsecas de pedagogo e homem público, que lhe granjearam enorme prestígio junto de todos aqueles com quem privou mais de perto, mas também da comunidade vila-realense na qual, naturalmente, se inseria. Presto-lhe, assim, esta singela homenagem, evocando a sua memória.

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