Quinta-feira, 28 de Maio de 2026
Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Salazar e o Golpe frustado de Botelho Moniz

No passado dia 13, deste mês, completaram-se 60 anos do que ficou conhecido como “ABRILADA”

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No passado dia 13, deste mês, completaram-se 60 anos do que ficou conhecido como “ABRILADA”, cujo principal protagonista foi o general Júlio Botelho Moniz (BM), nomeado para a pasta da Defesa em substituição de Santos Costa, devoto confesso de Salazar.
Estivera na origem desse fracassado pronunciamento os acontecimentos ocorridos no Norte de Angola, em março de 1961, reforçados por uma visão não perfilhada, por BM, em relação à política ultramarina de Salazar.

No livro SALAZAR SÓ A CADEIRA O DERRUBOU, publicado por Manuel Catarino, encontramos uma descrição pormenorizada dessa malograda intentona que vale a pena ler atentamente, para se ter uma ideia do muito que se desconhece, principalmente, da atuação controversa do então Presidente da República (PR).

Charles Elbrick, embaixador, à época, dos EUA em Lisboa, tinha reunido com BM, no mais absoluto segredo, em março, desse ano, tendo-lhe transmitido as preocupações da Administração Americana sobre a intransigência de Salazar em aceitar a autodeterminação das colónias. O ministro da Defesa tenta influenciar o chefe do Governo, no sentido de aceitar o apoio americano, que consistia numa solução federativa para o problema do Ultramar.

BM insiste em passar das palavras aos atos e, a 11 de abril, num encontro no Palácio de Belém, lança um ultimato ao PR para demitir Salazar. Existia uma grande familiaridade, entre BM e o PR, que vinha dos tempos em que ambos foram condiscípulos na Escola de Guerra. Porém, Américo Tomás, não só não dá cumprimento à exigência de BM, como informa o primeiro-ministro da sua pretensão.

BM tinha delineado um plano que passava pelo cerco ao Palácio de S. Bento, residência oficial de Salazar, e da ocupação da Emissora Nacional, por dois batalhões da Escola Prática de Infantaria, tendo assegurado o apoio do Exército e a neutralidade da Marinha e do ministro do Interior, Arnaldo Schultz, que tutelava a GNR e PSP.

Assim, em 12 desse mês, esgotado o prazo dado ao PR, sem quaisquer consequências, BM põe em marcha o seu plano, tendo para o efeito convocado uma reunião de todos os comandos militares, para se apresentarem, pelas 17 horas, no EMGFA, quando são surpreendidos pelas 15horas, por uma comunicação oficial, lida aos microfones da EN, dando conta da demissão dos ministros da Defesa e do Interior, bem como dos secretários e subsecretários de Estado envolvidos na intentona, entre eles o do tenente-coronel Costa Gomes.

E assim se gorou mais uma tentativa para depor Salazar, que ficou conhecida por “ABRILADA”.

Registe-se, como curiosidade, que o anterior Presidente da República, marechal Craveiro Lopes, esteve também envolvido nesse pronunciamento.

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