Quinta-feira, 7 de Julho de 2022
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Timor Lorosa’e – 20 anos de história (1)

No dia 2 de Novembro de 2001, colaborava eu com a Escola Superior de Engenharia do IPB – Instituto Politécnico de Bragança, saí da aula ao fim da manhã e dirigi-me ao estacionamento para pagar, entrar no carro e regressar a Vila Real

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Nesse momento tocou o meu telemóvel. Atendi e do outro lado estava a Dr.ª Mónica Pimentel, da FUP – Fundação das Universidades Portuguesas que me disse: “Senhor Professor o seu nome foi-me indicado pelo seu colega Carlos Couto, da Universidade do Minho e quero convidá-lo a ir lecionar duas cadeiras de Eletrotecnia na UNTL – Universidade Nacional Timor Lorosa’e e tem que ir o mais depressa possível”. A minha resposta foi imediata, aceitando o convite. 

O Professor Carlos Couto era o Coordenador do Curso Engenharia Eletrotécnica da responsabilidade da FUP e ministrado na UNTL – Universidade Nacional Timor. Para mim era o concretizar de um sonho. Desde criança ouvia falar de Timor porque o Padre Alberto e o Padre Afonso, meus conterrâneos, estavam lá e vinham de vez em quando a Remondes, a nossa terra. Nessa altura os selos de Timor fascinavam-me. Como a carta era o meio normal de comunicação tive oportunidade de ter muitos selos de lá.

Parti na quinta-feira seguinte e “aterrei” em Díli na sexta. Assim começou uma das fases mais importantes da minha vida de cidadão e de Professor universitário. Fiquei instalado no Hotel Dom Aleixo, bem perto das instalações da universidade onde iriam decorrer as aulas.

No aeroporto estava à minha espera o Dr. Ângelo Ferreira, responsável pela FUP em Timor. Entre o aeroporto e o hotel fomos conversando e ele alertou-me para o facto de Díli ter um grau de destruição muito grande. Havia muitos prédios completamente destruídos e outros com grandes danos. Como acompanhei pela televisão o que lá se passava durante a ocupação indonésia, este facto não foi novidade para mim.

O hotel tinha o nome de um dos timorenses mais ilustres, Dom Aleixo Corte Real, Régulo de Ainaro que foi fuzilado pelos indonésios na segunda guerra mundial, juntamente com a sua família. Foi assim que ele quis mostrar o seu amor àquela que considerava a sua Pátria, Portugal.

O meu primeiro ato público foi no Sábado de manhã ao assistir ao início do oficial do ano letivo 2001-2002 no largo fronteiro à Universidade. Foi uma cerimónia ao ar livre e estavam presentes o Ministro da Educação de Timor, o Embaixador de Portugal, o Chefe da Missão Portuguesa e o Reitor da UNTL.

A cerimónia começou com uma oração de agradecimento a Deus por ter tornado realidade o significado daquele ato. Com o decorrer do tempo constatei que era normal as reuniões e os atos públicos começarem assim.

Esta foi a primeira de onze vezes que lá me desloquei na qualidade de professor. Estive lá até ao dia 21 de dezembro e regressei a Portugal no dia 22, via Darwin, Austrália. Cheguei a Vila Real a tempo de passar o Natal com a minha família.

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