Em tempos, no final do telejornal, a RTP dava nota das previsões meteorológicas e, como alguém dizia, lá estava o anticiclone dos Açores. Ora, a semana passada foi pródiga em turbulência. Ciclones, ou anticiclones, a temperatura esteve alta. Excessivamente alta.
Talvez pelos choques do anticiclone dos Açores é que 2022 tem sido um ano com fraquíssima pluviosidade! Em termos políticos, aliás, as correntes que de lá têm vindo não são muito edificantes.
Pois a turbulência foi tal que atingiu os aeroportos da capital. O que existe e já não dá conta do recado, porque velho, ultrapassado e demasiado em cima das Avenidas Novas, há muito devia ter passado aos arquivos da história; o que está para fazer e que um Presidente de Câmara está a inviabilizar, ao puxar dos galões que uma Lei da República lhe deu; um outro, que já fora opção, mas que o Governo de Pedro Passos Coelho rejeitou, agora a ser, ao que parece, repristinado, mas a destempo e, por isso, agitou os ventos.
Pelo Brasil, a turbulência também se fez notar. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa viu-se confrontado com algo de pouco comum na relação entre Estados. Foi convidado e depois desconvidado. Sobre o imbróglio diplomático, não me pronuncio. Mas de Bolsonaro, pouco dado às questões da cultura, poder-se-á esperar muita atenção à Bienal Internacional do Livro de São Paulo? E como a cultura é fundamental em democracia – Presidente Marcelo dixit – quem não respeita a democracia também não se perde por eventos culturais.
Mesmo com temporal, Portugal recebeu a reunião do Banco Central Europeu com os vários bancos centrais dos Estados-Membros da União Europeia e coorganizou a Conferência Mundial sobre os Oceanos. Esperava-se, assim, um pouco mais do novel Presidente do PSD sobre questões cruciais que têm a ver com o desenvolvimento coeso do país que ele aspira vir a liderar. Mas não. Em tempos, defendeu Alcochete como solução de aeroporto para Lisboa; agora, nas novas funções, não se pronuncia, não quer assumir responsabilidades na construção do consenso nacional a que o Presidente da República apelou. Como bom residente do litoral, diz não à regionalização. Também por isso, continuo a respeitar os autarcas do PSD que, em 1998, foram capazes de, em opção própria, defender a regionalização, como um bom caminho para o desenvolvimento mais equitativo do país.





