Uso as palavras que José Pacheco Pereira nos deixou, há mais de um mês, (18 de junho), sobre esta nova inquietação: “Como é possível que não vejam o que se está a passar, porque por muita manipulação e por muita espetacularização da dor para garantir audiências, eles sabem que há um enorme sofrimento injusto e injustificável na Ucrânia nestes dias e sabem o que ele causa e quem o desencadeou e provocou.”
O último episódio ocorrido é bem elucidativo do comportamento do invasor. Tem sido preocupação, designadamente das Nações Unidas, a retenção dos cereais produzidos na Ucrânia, na campanha agrícola do ano passado, que eram exportadas praticamente para o mundo inteiro, e em especial para os países mais pobres da África. Esses cereais são indispensáveis para matar a fome a milhões de cidadãos nesses países. As Nações Unidas, incluindo o próprio Secretário-Geral Engenheiro António Guterres, conseguiram juntar na Turquia, as diversas partes e assinar um Acordo que permitiria fazer chegar esses cereais às diversas partes do mundo que deles necessitam, a partir dos portos ucranianos.
Pois bem, na manhã do dia seguinte ao da assinatura do Acordo o invasor bombardeou com mísseis de longo alcance, um desses portos desrespeitando o que fora acordado horas antes.
O que é que isto significa? Que não é intenção dos governantes russos cumprirem esse Acordo. Pelo contrário, o que se pode esperar é uma escalada da guerra nos próximos meses, receando que a estação das chuvas, previsíveis para daqui a dois ou três meses, não permitam grandes avanços no terreno.
Quem assim se comporta, no dia imediato ao da assinatura de um Acordo, com a chancela das próprias Nações Unidas, não dá a garantia de pretender um entendimento para regressar à paz.
Há muitos comentadores que já não escondem o receio de afirmar que se mantém viva a ameaça de uma guerra nuclear feita por Putin e Lavrov, um ato sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. Aí a catástrofe já não seria apenas a fome por falta de cereais, mas a própria humanidade no seu todo.
Cabe aqui um papel relevante às Nações Unidas e em particular ao Conselho de Segurança, do qual faz parte a própria Rússia, bem como a NATO, que agrega a maior parte dos países ocidentais, para ir prevenindo que tal não aconteça. Porque a Rússia, já provou, não ser confiável nas negociações.





